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Sindicatos suspendem atividades na Argentina em protesto à reforma trabalhista de Milei

Greve geral paralisa transporte e serviços enquanto Congresso é blindado para votar a reforma trabalhista de Milei, em meio a tensões e protestos

Enfrentamientos en la protesta contra la reforma laboral, en Buenos Aires, el 11 de febrero.
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  • Sindicatos argentinos decretaram greve de 24 horas contra a reforma trabalhista de Milei, com paralisação do transporte público.
  • A Câmara de Deputados discute o projeto, que prevê extensão da jornada de trabalho e mudanças no atendimento de horas extras.
  • A nova legislação cria um fundo para indenizações, desfinancia a seguridade social e estabelece serviços mínimos de setenta e cinco por cento para setores essenciais.
  • Além do transporte, não haverá atendimento em órgãos públicos nem bancos; coleta de lixo, transporte de carga, correio e serviços de saúde funcionarão com estruturas reduzidas.
  • O governo ameaça descontar o dia de funcionários públicos ausentes e o debate pode levar a sessão a retornar ao Senado para sanção final.

O sindicalismo argentino intensificou a resistência à reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei. Nesta quinta-feira, trabalhadores de base da Argentina aderiram a uma greve geral de 24 horas, com paralisação do transporte público. A mobilização ocorre enquanto a Câmara dos Deputados discute o projeto de lei.

A central CGT acusa que a reforma precariza direitos conquistados há décadas. Entre as mudanças previstas, está a criação de um fundo de indenizações que desfinancia a Seguridade Social e a eliminação do pagamento obrigatório de horas extras. Também há limites ao direito de greve, com serviços mínimos de 75% para setores essenciais.

Além da paralisação, houve interrupção de trens, ônibus, voos e transportes de carga. Atividades administrativas, bancos e serviços de coleta de lixo também ficaram indisponíveis, com hospitais públicos operando próximo do mínimo. O governo informou que irá descontar o dia de funcionários ausentes.

O Executivo defende a necessidade de atualizar uma norma considerada obsoleta para incentivar contratações. Alega aumento da informalidade até cerca de 43% da mão de obra. Sindicatos dizem que a lei restringe direitos trabalhistas assegurados há décadas.

O ambiente na sessão legislativa segue tenso. O governo precisou alterar trecho controverso do texto, removendo artigo que reduzia salários em caso de doença ou acidente, sob pressão de aliados. A votação retorna ao Senado se aprovada na Câmara.

A proposta está sob o escrutínio público e deve retornar à Casa alta para sanção final, caso passe pela etapa atual. Milei busca colocar a reforma em vigor antes do início formal das sessões do Congresso, no mês que vem, para evitar atrasos.

Separadamente, a indústria enfrenta dificuldades agravadas pela abertura de importações. A Fate, fábrica histórica de pneus, anunciou o fechamento e demissão de mais de 900 trabalhadores, alimentando críticas às políticas econômicas do governo.

Dados oficiais indicam fechamento de cerca de 21 mil empresas nos últimos dois anos e queda de cerca de 300 mil empregos formais, em meio a pressões competitivas com importações. O cenário alimenta o debate sobre o impacto da reforma trabalhista planejada.

A jornada desta quinta promete ser marcada por protestos e por um forte aparato de segurança. As autoridades indicaram que a polícia atuará para evitar confrontos, e jornalistas foram orientados a permanecer em áreas designadas para resguardar a integridade física.

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