- A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul confirma parte das declarações de executivos da Aegea sobre pagamento de propina a políticos em seis estados, conforme apurado pelo UOL.
- Ao menos R$ 4,5 milhões saíram da empresa e foram para diferentes destinos, incluindo R$ 1,4 milhão destinados à campanha do MDB nas eleições de 2012.
- O relatório indica pagamento a Amadeo e a João Amorim em 2011–2012, com objetivo de financiar campanhas de 2012 e 2014, ligados ao então prefeito Nelsinho Trad.
- A investigação aponta a venda de uma estação de tratamento de esgotos em Dourados por R$ 4,5 milhões a Águas de Guariroba (Aegea), cidade onde o sistema nunca foi visto nem comprovado.
- O Ministério Público decidirá se oferece denúncia; a Polícia Civil indica indícios de desvio e lavagem de dinheiro, enquanto parte dos pagamentos permanece sem explicação sobre a prestação de serviço.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul confirmou parte das acusações de propina envolvendo a Aegea em MS. Executivos da empresa de água e esgoto afirmaram ter pago propinas a políticos em seis estados, conforme investigação citada pelo UOL.
Relatório do Dracco aponta que ao menos 4,5 milhões de reais saíram da Aegea e foram destinados a diferentes caminhos. Entre os alvos, 1,4 milhão foi para a campanha do MDB em 2012, quando o partido disputava o comando da Prefeitura de Campo Grande.
Em depoimento de março de 2020, Amadeo relatou que, em 2011, foi procurado pelo empreiteiro João Amorim, investigado na Lama Asfáltica. Segundo ele, Amorim pressionou para pagamentos de 30 milhões ao grupo político do então prefeito Nelsinho Trad.
Em 2025, a polícia concluiu a investigação da Lama Asfáltica e encaminhou o relatório à Justiça. O documento confirma que Amorim recebeu valores do grupo da Aegea sem prestação de serviços no período descrito por Amadeo.
Desvios e operações questionadas
O relatório menciona a venda da ETE de Dourados em 2012 por 4,5 milhões à Águas de Guariroba, da Aegea. Não há evidência de localização da ETE nem confirmação de existência, segundo o documento.
Durante buscas da PF, foi encontrada uma minuta de nota da Aegea sobre a estação, mas a pergunta sobre onde ficaria foi suprimida para evitar novos problemas, conforme o relatório final.
Parte dos pagamentos ocorreu em setembro de 2012, caindo na conta de Proteco, empresa de Amorim. Do total, 1,4 milhão foi direcionado ao MDB nesse ciclo eleitoral.
Outra parcela, de 1,18 milhão, saiu da conta de Amorim por meio de saques fracionados em espécie. A soma total foi registrando em cheques de 99 mil reais, recebidos pelo próprio Amorim.
Pessoas envolvidas e hall de pagamentos
A Polícia Civil indiciou Amorim e José João da Fonseca, conhecido como JJ, por desvio e lavagem de dinheiro. Nelsinho Trad foi citado como ex-cunhado de Amorim, mas não foi indiciado por corrupção passiva, segundo informações da polícia.
O senador citou ao UOL que não possui procedimentos em seu nome no STJ ou na PGR e que não está sob investigação no momento.
Ao longo de 2011 a 2015, contratos simulados para aluguel de equipamentos somaram 30 milhões, conforme depoimentos de Carlos Bernert, então consultor da Aegea. A apuração sustenta que os contratos eram utilizados para justificar repasses.
Repercussões futuras e próximos passos
O Ministério Público deve decidir se oferece denúncia contra Amorim e JJ. A Dracco também requisita novo inquérito para apurar repasses da Aegea ao filho do ex-governador André Pulcinelli, envolvendo compra de livros de 2013 a 2014.
A reportagem do UOL buscou posicionamentos do MDB estadual, do diretório nacional e dos citados envolvidos. Em nota, a Aegea afirmou que adere ao Termo de Acordo para fortalecer a integridade corporativa, sem detalhar os pontos de questionamento.
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