- Protestos contra decreto de Lula para permitir concessões de hidrovias na região Norte se intensificaram, chegando a ataques a instalações da Cargill no Pará e em São Paulo na noite de sexta-feira, 20 de fevereiro.
- A Cargill afirmou que houve ações violentas que atingiram ativos da empresa, com invasão ao terminal portuário de Santarém e vandalismo no escritório central em São Paulo.
- A mobilização é liderada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, que afirma lutar contra um modelo hidroviário considerado predatório e pela revogação do decreto.
- O governo propõe incluir trechos de rios como Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização para viabilizar futuras concessões de hidrovias; o movimento alega violação de consulta prévia prevista na Convenção 169 da OIT.
- A Cargill disse não ter ingerência sobre a pauta e afirmou possuir ordem judicial para desocupação; o Ministério dos Portos e Aeroportos não comentou oficialmente.
Manifestações contra decreto de Lula que permite concessões de hidrovias na região Norte se intensificaram no fim de semana. O ataque atingiu instalações da Cargill, em Santarém (PA), e em São Paulo, sem relação direta com o movimento inicial, conforme a empresa.
A Cargill informou que, na noite de 20 de fevereiro, duas ações violentas atingiram seus ativos. Um grupo vandalizou a fachada do escritório central em São Paulo. Horas depois, o terminal portuário de Santarém foi invadido, após bloqueio da portaria de caminhões por grupos indígenas.
O movimento é liderado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que critica o modelo hidroviário e a existência de um decreto que, segundo eles, pode afetar rios ancestrais. A medida envolve trechos de rios como Tapajós, Madeira e Tocantins no PND.
Contexto e participantes
A mobilização ganhou força com delegações do Médio e Alto Tapajós, além dos povos Kayapó e Panará, vindos do Mato Grosso. Políticos de PSOL e PDT participaram de ações na região, conforme relatos de apoiadores da causa.
Na sexta-feira, manifestantes exibiram faixas com mensagens contra o decreto, como a de que o Tapajós não é mercadoria. A Polícia Federal foi acionada para garantir a segurança de instalações privadas, incluindo a Cargill.
A Cargill disse não ter ingerência sobre a pauta e que já há ordem judicial de desocupação. A empresa afirma manter contato com autoridades para que a saída ocorra de forma ordeira e segura.
Desdobramentos e perspectivas
O Ministério dos Portos e Aeroportos não comentou o caso até o momento e não divulgou posicionamento oficial. O órgão planeja, ainda neste ano, o leilão de hidrovia no rio Paraguai, previsto para o segundo semestre.
Estudos preliminares sobre as hidrovias em Tapajós, Madeira e Tocantins apontam potencial histórico para escoamento da produção do agronegócio e da mineração, mantendo a tensão entre desenvolvimento e proteção ambiental.
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