- Governo federal e Hugo Motta aceleram a tramitação da PEC que tira a escala 6×1, começando pela CCJ; admissibilidade deve ser analisada até o fim de março e o texto deve seguir para uma comissão especial, com votação prevista em maio.
- Lula e Motta pretendem usar o fim da escala para pedir votos em outubro.
- PT sinaliza concessões, com proposta de 5×2 sem redução salarial e com limite de quarenta horas semanais; o texto original previa máximo de trinta e seis horas.
- Críticas vêm de empresários e do PSD-CE, representado por Luiz Gastão, que afirma que o fim da escala desestruturaria o setor produtivo e cita falta de estudos para embasamento.
- Lopes (PT-MG) reafirma posição favorável a quarenta horas semanais, destacando que a mobilização envolve frentes ligadas a indústria, comércio e serviços; Erika Hilton (PSOL) também participa do debate.
O governo federal e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), aceleram a tramitação da PEC que encerra a escala 6×1. A proposta tem forte apelo eleitoral e visa ampliar folgas, o que poderá influenciar o voto em outubro. Motta indicou que já escolherá o relator no começo desta semana.
A matéria deve avançar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara ainda neste mês, com intenção de concluir a admissibilidade até o fim de março. Em seguida, o texto seguirá para uma comissão especial com representantes de várias legendas.
A meta é votar a PEC em maio. Motta manteve reunião de trabalho com o presidente da CCJ, Leur Lomanto Jr, na manhã de domingo, para alinhar a tramitação e acelerar o calendário.
Governo sinaliza concessões
O PT sinaliza disposição para concessões que tornem a proposta viável. O líder do partido na Câmara, Pedro Uczai, afirmou ao UOL que o formato 5×2, sem redução de salário e com teto de 40 horas semanais, pode ser aceito. O texto original previa até 36 horas.
Reginaldo Lopes (PT-MG) também defende 40 horas semanais, argumentando que o ajuste facilita a obtenção de votos. Lopes foi autor de uma das propostas que deram origem ao debate, unificando com a de Erika Hilton (PSOL).
Lopes destacou que a resistência é maior no setor de serviços, enquanto a indústria já opera próximo de 40 horas semanais. O deputado tem mantido encontros com empresários, fruto da experiência como coordenador do Grupo de Trabalho da Reforma Tributária.
Luiz Gastão (PSD-CE) critica o ritmo acelerado do tema e afirma que não houve estudo técnico suficiente. O parlamentar liga a proposição a interesses eleitorais, citando a atuação de Guilherme Boulos (PSOL) como sinal de politização.
Reação do setor produtivo
O setor empresarial vem atuando para dificultar a aprovação. Embora haja apoio de parte do comando da Câmara, frentes ligadas a indústria, comércio e serviços devem ampliar a oposição.
Gastão reforça pontos negativos, como desorganização do funcionamento do setor produtivo e inviabilidade de escalas de revezamento. Ele também defende compensações para reduzir custos, sugerindo: redução de contribuições patronais apenas com contrapartidas.
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