- Benedita da Silva, relatora de projeto que amplia proteção a domésticas resgatadas em regimes análogos à escravidão, foi escalada pelo PT para tentar distensionar a relação com evangélicos após o Carnaval.
- A Acadêmicos de Niterói trouxe ala “Neoconservadores em conserva” ao desfile, com referências religiosas em adereços e números que homenagearam Lula.
- Benedita afirmou em vídeo que “Deus não pode ser instrumento de campanha política” e criticou o bolsonarismo, destacando a diversidade de núcleos familiares no Brasil.
- Lideranças evangélicas reagiram negativamente; pesquisa Genial/Quaest aponta 61% de desaprovação de Lula entre evangélicos, contra 34% de aprovação.
- PT avalia esperar a crise se decantar para medir impactos na popularidade de Lula; há preocupação com efeitos na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Benedita da Silva, deputada federal pelo PT do Rio de Janeiro, atua como relatora de um projeto que amplia a proteção a domésticas resgatadas de regimes análogos à escravidão. A sigla escalou a líder para tentar recompor a relação com evangélicos após o Carnaval.
A ação ocorre em meio a críticas ao desfile da Acadêmicos do Rio de Janeiro em Niterói, com uma ala chamada “Neoconservadores em conserva”. A escola homenageou o presidente Lula, gerando desconforto entre lideranças religiosas e uma parcela do público.
Em vídeo divulgado nesta segunda-feira, Benedita afirmou que “Deus não pode ser instrumento de campanha política” e ressaltou a diversidade de núcleos familiares do Brasil, criticando o bolsonarismo por usar a Bíblia como crachá. O tom gerou atrito com parte do público evangélico.
Reação e contexto político
Anne Moura, da Executiva Nacional do PT, explicou que Benedita é vista como ponte com comunidades de fé, capaz de esclarecer fatos e manter diálogo. A distribuição de críticas ao bolsonarismo apareceu como eixo da mensagem da deputada.
Lideranças evangélicas reagiram ao episódio, fortalecendo o afastamento com o Planalto em um momento em que Lula busca aproximação. Pesquisas indicam desaprovação considerável entre evangélicos e apoio menor à gestão federal no segmento.
No entorno do governo, o tema alimenta cautela sobre a indicação de Jorge Messias ao Supremo. O advogado-geral da União é evangélico e enfrenta resistência de senadores, com temores de que o desgaste atrapalhe a sabatina.
Entre petistas, há avaliação de que a crise pode não ter impacto imediato na popularidade de Lula. Alguns parlamentares avaliam que o ruído pode superar o dano real, ao menos neste momento. O partido trabalha para medir impactos futuros sobre a agenda governista.
Durante o fim de semana, Lula disse não se posicionar sobre a ala da escola de samba, destacando que não participou da produção do desfile e ressaltando que foi homenageado em uma música. O relato foi feito em entrevista em Nova Délhi, na Índia.
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