- Nepal realiza eleição antecipada em 5 de março, após protestos de 2025 que levaram à renúncia do ex-primeiro-ministro Oli; governo interino é chefiado pela primeira mulher, Sushila Karki.
- São quase 18,9 milhões de eleitores, com cerca de 4 milhões entre 18 e 24 anos impulsionados pelos movimentos de protesto; 3.400 candidatos de 65 partidos disputam 275 cadeiras na Câmara dos Representantes.
- Jovens buscam mudança com lideranças emergentes, como Balendra Shah (Balen), Kulman Ghising e Rabi Lamichhane, que contestam o domínio dos três maiores partidos.
- O Rastriya Swatantra Party (RSP) e outras novas forças tentam ampliar espaço político; Ghising saiu do RSP para a Ujyalo Nepal Party.
- Desafios incluem alianças entre velhos e novos, possíveis tendências populistas e falta de clareza ideológica; analistas indicam que reformas estruturais são necessárias para evitar retorno de práticas antigas.
Nepal realiza, em 5 de março, uma eleição antecipada para a Câmara dos Representantes, após protestos de 2025 que deixaram saldo de ao menos 77 mortos. O pleito ocorre em meio a uma crise de confiança na elite política e pressão por renovação generacional no poder.
O cenário político envolveu os últimos primeiros-ministros de linha dominante no país: Oli, Dahal e Deuba, que cederam espaço entre si ao longo da última década. A eleição visa medir o apoio a novas lideranças frente a um sistema fragmentado com dezenas de partidos.
Dados da eleição e participação
Cerca de 18,9 milhões de eleitores estão aptos a votar, com crescimento de ~900 mil pessoas em relação à eleição anterior. O país conta com quase 4 milhões de jovens entre 18 e 24 anos, estimulados pela mobilização de 2025.
Mais de 3,4 mil candidatos disputam 275 vagas na Câmara, em uma disputa que envolve 65 formações políticas, incluindo diversos estreantes. O sistema eleitoral mescla voto direto para 165 assentos com distribuição proporcional para o restante.
Cenário de candidaturas e juventude
Entre os candidatos, surgem nomes como Balendra Shah, o ex-prefeito de Kathmandu conhecido como Balen, Kulman Ghising, ex-funcionário público que encerrou cortes de energia, e Rabi Lamichhane, líder do RSP. Outros menos conhecidos buscam avanços para a chamada nova geração.
O movimento juvenil permanece como força impulsionadora, com várias organizações, incluindo a Gen Z Front, buscando ampliar a participação cívica e cobrar maior transparência governamental. A meta é reduzir a dependência de atores históricos da política nepalesa.
Análise e risco político
Especialistas destacam que a vitória de novas figuras não é garantia de mudanças estruturais. Há expectativa de alianças entre partidos tradicionais para evitar perdas de poder, o que pode resultar em acordos de fisiologismo em vez de reformas profundas.
Analistas alertam para possíveis traços populistas entre alguns candidatos da nova guarda, o que pode influenciar o curso político ainda sem clareza ideológica. O equilíbrio entre propostas de governança e alianças será decisivo para a maioria parlamentar.
Governança e expectativa pública
O governo interino já trabalha em um roteiro de boa governança voltado ao novo mandato, com enfoque em transparência e participação civil. Organizações da sociedade civil veem a eleição como oportunidade de redefinir o papel do Estado e ampliar a participação popular.
Entre os eleitores jovens, cresce a esperança de renovação. A força de candidatos com propostas voltadas a emprego, desenvolvimento e combate à corrupção é citada como diferencial por quem planeja votar. O resultado pode moldar o rumo político do país nos próximos anos.
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