- Os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão foram condenados, por unanimidade, pelo Supremo Tribunal Federal como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, na atual configuração do caso.
- Há quase quatro décadas, em 8 de março de 1987, Domingos e Chiquinho estavam em um Fusca quando Domingos atirou duas vezes, matando Luiz Cláudio Xavier dos Reis e ferindo Jairo Neves dos Santos, supostamente por desconfiança de que a vítima tinha um caso com a ex-mulher de Domingos.
- O crime ocorreu quando os Brazão eram comerciantes de carros usados e não tinham foro privilegiado; Domingos foi preso em 8 de dezembro de 1987 e ganhou liberdade provisória em 14 de janeiro de 1988; o processo só foi a júri em 2003, após anos de atraso e manobras processuais.
- O julgamento de 2003, no entanto, resultou em absolvição por legítima defesa no Órgão Especial do Tribunal de Justiça, com voto da maioria dos desembargadores, apesar de divergências entre magistrados.
- O caso antigo é citado para contextualizar as trajetórias dos Brazão, que hoje estão vinculados aos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, conforme a condenação do STF.
Domingos Brazão e Chiquinho Brazão foram condenados pelo STF como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A decisão ocorreu em fevereiro de 2026 e envolve um histórico de envolvimento criminoso do grupo.
Nesta reportagem, revejo um crime anterior envolvendo os irmãos, ocorrido em 8 de março de 1987, quando Domingos atirou e matou Luiz Cláudio Xavier dos Reis e feriu Jairo Neves dos Santos. O crime teve motivação relacionada a ciúmes.
Segundo as investigações da época, Luiz Cláudio desconfiava de que sua ex-mulher mantinha relação com Domingos ou com Chiquinho. O atentado ocorreu em um Fusca, com dois disparos de revólver 38.
A ampliação do caso mostra que Domingos foi preso em dezembro de 1987 e libertado provisoriamente em janeiro de 1988. O processo, porém, ficou paralisado por decisão de juiz, sem júri popular, em 1992.
Em 2003 o julgamento ocorreu, já com Domingos deputado estadual e com foro privilegiado. A decisão final absolveu Domingos por legítima defesa, em meio a divergências entre desembargadores.
O Ministério Público chegou a receber denúncia anônima sobre suposta milícia ligada aos Brazão, mas a peça foi desqualificada pelo relator, que ressaltou a fragilidade de denúncias sem base direta no caso.
A defesa trouxe elementos que apontavam que Luiz Cláudio rondava Domingos e que havia uma tentativa de sequestro de vida durante o diálogo entre as partes, o que foi utilizado para sustentar a legítima defesa.
A narrativa descreve que, ao voltarem de um aniversário, Luiz Cláudio teria fechado o Fusca com uma moto, levando Domingos a agir com dois tiros. A versão dos autos aponta conflitos anteriores entre as partes.
Ao final, o relator reafirmou a defesa como legítima, enquanto o voto vencido destacava que o episódio ocorreu em retaliação a uma agressão. A diferença de versões marcou o desfecho do júri.
No desfecho processual, dois depoimentos impactaram o entendimento: a esposa de Luiz Cláudio e a irmã da vítima descreveram o homem como alguém de boa índole, o que pesou na avaliação da defesa.
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