- Mendonça, ministro do STF e pastor, pediu na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, para que fiéis não sejam guiados pela cobiça financeira e por propostas tentadoras no aspecto financeiro.
- Em tom de sermão divulgado no Instagram, ele afirmou que as tentações incluem o poder financeiro, político e espiritual, enfatizando discernimento para seguir propósitos de Deus.
- O ministro assumiu a relatoria do inquérito do Banco Master no dia 12, reuniu-se duas vezes com delegados e, em 19 de novembro, determinou a retomada do fluxo de perícias e depoimentos, revertendo decisão anterior de Toffoli.
- A Polícia Federal encontrou ligações de Toffoli com o caso, e houve controvérsia sobre armazenamento de celulares e acesso a dados, com a PF e a Procuradoria-Geral da República recorrendo de decisões.
- O histórico político de Mendonça envolve a indicação por Jair Bolsonaro para o STF, com foco em manter um perfil religioso; recentes intervenções ocorreram em meio a tensões envolvendo o caso Master e autoridades da Corte.
O ministro do STF André Mendonça fez um apelo aos fiéis da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, para que não sejam guiados pela cobiça ou por propostas tentadoras no aspecto financeiro. O sermão, divulgado nesta terça-feira (24) em seu perfil no Instagram, tratou das tentações associadas ao poder. A fala ocorreu no contexto do inquérito sobre o Banco Master, cuja condução tem gerado amplo escrutínio sobre a atuação de integrantes da Corte.
Durante a mensagem, Mendonça traçou paralelos entre as tentações de Jesus Cristo no deserto e três desafios enfrentados pela igreja: o aspecto financeiro, o poder político e o poder espiritual. Ele alertou para que não se busque lucro ou reconhecimento acima de princípios, destacando a necessidade de discernimento a partir de valores espirituais.
O inquérito do Banco Master tem Mendonça como novo relator desde o dia 12 de mês em curso. O magistrado já se reuniu duas vezes com delegados da investigação para alinhavar o andamento dos trabalhos. A PF atualizou o magistrado sobre o progresso do caso na última segunda-feira.
A tramitação do caso gerou repercussões no STF. O ex-relator, ministro Dias Toffoli, deixou a relatoria após a PF encontrar menções a ele no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco. Investigações também apontaram vínculos entre irmãos de Toffoli e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Desdobramentos do inquérito
A Polícia Federal identificou ainda um contrato entre o banco e o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com valor total de cerca de 129 milhões de reais. Procuradoria-Geral da República e PF recorreram de decisões anteriores, levando Mendonça a determinar a retomada do fluxo ordinário de perícias e depoimentos.
Segundo Mendonça, a segunda tentação envolve o poder político e institucional, que pode ser benção quando guiado por Deus, mas se torna uma tentação quando não alinhado a princípios. Ele pediu discernimento para diferenciar propósito divino de vaidades pessoais.
A terceira tentação refere-se ao poder espiritual, ressaltando a importância de não atender aos desejos próprios. O ministro orientou que se busque o Espírito Santo e não a honra humana, mantendo foco no que julga ser propício a Deus.
Contexto político e institucional
O histórico de Mendonça no STF inclui o rótulo de aliado de Jair Bolsonaro, que o indicou para o tribunal em 2021 com o discurso de nomear ministros “terrivelmente evangélicos”. A atuação do ex-presidente Lula em indicações posteriores manteve Mendonça em posição pública de destaque, enquanto o Congresso acompanha o desenrolar do caso Master.
No final de 2025, Mendonça participou de um culto em São Paulo ao lado de Jorge Messias, indicado por Lula para o STF, cuja sabatina ainda não ocorreu. A troca de mensagens entre autoridades e a resistência a determinados nomes têm mantido o tema sob escrutínio público e institucional.
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