- O senador Eduardo Girão (Novo-CE) direcionou críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), durante a sessão, cobrando a instalação imediata de uma comissão parlamentar de inquérito sobre o caso Banco Master.
- Girão afirmou que a CPI é inegociável e que já conta com apoio de 51 dos 81 senadores, defendendo que o Congresso precisa agir diante da “maior fraude financeira da história” e pedindo, ainda, impeachment de ministros do STF.
- O senador denunciou a desmoralização do Senado e disse que Alcolumbre seria o maior responsável pela omissão, afirmando que o prazo para mudanças se esgotou.
- Ele criticou a suposta falta de transparência na Casa e citou o sigilo de 100 anos sobre visitas de um empresário aos gabinetes de senadores, como exemplo de “República do segredismo”.
- A fala ocorreu em meio à afirmação de que Girão, que não disputaria novo mandato, é pré-candidato ao governo do Ceará, mantendo posição firme contra o que chama de perseguição à direita e prometendo levar a CPI às últimas consequências.
A retomada dos trabalhos no Senado ocorreu com um pronunciamento direto do senador Eduardo Girão (Novo-CE) contra o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). O foco foi a suposta omissão do Legislativo diante do caso Banco Master e a defesa da instalação imediata de uma CPI para investigar a maior fraude financeira da história, seja apenas no Senado ou em conjunto com a Câmara.
Girão anexou ao discurso uma lista de fatos que, segundo ele, vão além de disputas políticas. Ele cobrou também aberturas de processo de impeachment contra ministros do STF, citando Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, e reiterou o apoio à criação da CPI, já com apoio de 51 dos 81 senadores. A fala foi dirigida no instante em que Alcolumbre conduzia a sessão.
O momento gerou tensão: Girão afirmou que Alcolumbre pode ser o principal responsável pela desmoralização do Senado, afirmando que o prazo para mudanças já acabou. O senador cearense disse que o Senado não pode fechar os olhos ante os escândalos e pediu ações urgentes para restaurar a confiança institucional.
Contexto e desdobramentos
Girão descreveu a reabertura do plenário após o recesso como o fim de um período de inércia, alegando que o Senado ficou parado em fevereiro diante de denúncias relevantes. Ele lembrou promessas feitas pela Presidência em 2019 para ampliar transparência, citando episódios de sigilo prolongado sobre visitas de um empresário aos gabinetes de senadores.
O autor do requerimento da CPI destacou que a proposta está parada na Mesa, sem manifestação de Alcolumbre, e rejeitou a hipótese de recuar por meio de acordos que demonstrem um viés político, como a negociação de temas legislativos em troca de votações.
Contexto político
A intervenção de Girão, que não buscava a reeleição ao Senado e pré-candidato ao governo do Ceará, ganhou contornos eleitorais com o apoio de correntes de direita e de aliados de figuras públicas. Ele manteve postura independente dentro da oposição, criticando pressões políticas e ações do Judiciário, ao mesmo tempo em que defendia investigações mais severas.
O discurso enfatizou ainda a busca por apurar contratos ligados ao banco, citando um valor de 129 milhões de reais como referência a uma possível relação de interesse envolvendo um escritório ligado à família Moraes. A menção teve como alvo reportagens recentes e não resultou em novos desdobramentos oficiais até o momento.
Sobre o ator principal
Girão, com atuação marcante na oposição, já criticou a liderança do Senado por suposta falta de transparência e por evitar sessões que pudessem comprometer o governo e o Judiciário. Em 2025, ele havia apontado a necessidade de ações firmes para preservar a independência do Legislativo e reduzir a sensação de descolamento entre o poder e a sociedade.
O parlamentar cearense é empresário de origem e figura pública associada a setores de segurança e hotelaria. Em 2018 iniciou mandato no Senado, com atuação que aborda temas como combate à corrupção, com posições firmes em temas sociais e políticos.
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