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Ainda há ataques à Lei Rouanet e críticas ao financiamento cultural

Emendas de deputados bolsonaristas somam milhões à ONG do judoca Tiago Camilo, com baixa ocupação de vagas e dúvidas sobre fiscalização

Bancada do Camilo. Os deputados Nikolas Ferreira e Bia Kicis aprovaram o envio de dinheiro para a ONG do judoca. Sem verba pública, o instituto não sobreviveria – Imagem: Redes Sociais Instituto Tiago Camilo, Zeca Ribeiro/Agência Câmara e Vini Loures/Agência Câmara
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  • Em 2021, o instituto de Tiago Camilo recebeu autorização para captar 6 milhões de reais pela Lei Federal de Incentivo ao Esporte, ampliando o alcance da ONG fundada pelo judoca.
  • A partir de 2022–2023, deputados bolsonaristas passaram a destinar emendas para a entidade, somando 7,5 milhões de reais para abrir escolas de judô em vários estados.
  • Entre 2023 e 2024, o deputado Eduardo Bolsonaro destinou 1 milhão de reais à ONG; o repasse ganhou respaldo de outros parlamentares, formando a chamada “bancada de Camilo.”
  • O conjunto de centros atingiu 24 municípios em 12 estados, com a instituição afirmando ter impactado mais de 30 mil pessoas e atendido 3.791 crianças, mas a taxa de ocupação costuma ficar abaixo de sessenta e cinco por cento.
  • Há indícios de gestão contestável, como compras de materiais acima do preço de mercado (ex.: uniformes) e questionamentos sobre a eficiência do uso das emendas, enquanto o STF suspendeu parte das liberações de emendas do parlamentar envolvido.

O caso envolve uso de emendas parlamentares para financiar a ONG do judoca Tiago Camilo, medalhista olímpico. Em 2021, a fundação recebeu autorização para captar 6 milhões de reais pelo esporte. Em 2023, outras emendas estimaram 7,5 milhões para abrir escolas de judô em vários estados.

Entre 2021 e 2024, o grupo recebeu apoio de deputados bolsonaristas, incluindo Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e outros aliados. O objetivo declarado é ampliar a atuação da ONG, presente hoje em 24 municípios de 12 estados.

O Ministério da Cidadania autorizou a captação, e as emendas passaram a financiar centros esportivos e centros de treinamento. A gestão financeira, porém, tem gerado questionamentos sobre compras, custos de materiais e transparência.

A atuação da fundação se concentra na região de Paraisópolis, em São Paulo, e se expandiu para outras cidades com centros de judô. Dados de 2024 indicam hoje 3.791 crianças atendidas, com ocupação de vagas abaixo de 65%.

Em Minas Gerais, o aporte de 700 mil reais destinou unidades em Belo Horizonte e Montes Claros. Proprietários de unidades afirmam atender a centenas de alunos, embora haja discrepância entre vagas anunciadas e participação efetiva.

Em São Paulo, cinco CEUs abrigam as atividades, com quase 1,5 mil vagas disponíveis e 957 alunos cadastrados. A gestão de mercadorias e uniformes tem gerado críticas sobre custos relativos aos materiais.

A reportagem solicitou informações ao Instituto Tiago Camilo sobre a capacidade real de cada polo, sem obter retorno até o momento. As informações oficiais sobre despesas estão disponíveis apenas de forma limitada.

Sobre a fiscalização, o deputado Nikolas Ferreira afirmou que a União, por meio do Ministério do Esporte, acompanha a execução. Questionado, o Ministério manteve orientação de consulta pública a dados de emendas, sem detalhar inspeções in loco.

Paralelamente, o instituto firmou contratos com fornecedores de materiais esportivos, incluindo itens produzidos por Camilo. Em 2024, referentes a fardas, a ONG informou despesa elevada, sem esclarecer integralmente a origem de todos os itens.

Estudos de especialistas ressaltam que recursos via emendas apresentam desafios de fiscalização e transparência. O tema envolve debates sobre a prática de destinar verbas públicas a projetos sociais com participação política.

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