- Temporais deixaram pelo menos 3 mil desabrigados, milhares de desalojados e 49 mortos na Zona da Mata mineira.
- Especialistas ouvidos pela Agência Brasil associam os eventos à negligência com as mudanças climáticas, com enxurradas e cheias acima do normal em Juiz de Fora e Ubá.
- O geógrafo Miguel Felippe afirma que extremos climáticos exigem políticas públicas ambientais e ordenamento urbano; destacando que áreas pobres são mais vulneráveis.
- Levantamento do jornal O Globo aponta queda de recursos da Defesa Civil de Minas Gerais de 135 milhões para 6 milhões; governo estadual não comentou.
- Soluções de engenharia para resiliência citadas incluem pôlderes, parques públicos e maior permeabilidade do solo; obras de macrodrenagem Juiz de Fora + 100 já aprovadas, com repasse federal de 30,1 milhões e liberação de 1,2 milhão, além de 356 milhões para drenagem urbana.
Os temporais que atingiram Juiz de Fora e Ubá deixaram ao menos 3 mil desabrigados e milhares de desalojados, com 49 mortes confirmadas na Zona da Mata mineira. A avaliação inicial, feita por especialistas ouvidos pela Agência Brasil, aponta como causas uma combinação de fatores climáticos extremos e falhas estruturais na gestão urbana.
Segundo o geógrafo Miguel Felippe, da UFJF, eventos de grande intensidade acontecem em função de mudanças climáticas. Ele destaca a necessidade de políticas públicas ambientais mais consistentes e aponta que o negacionismo pode agravar desastres. A prevenção passa pelo ordenamento urbano e pelo controle de ocupação de áreas de risco.
Felippe também critica a atuação dos governos, que teriam relegado a pauta climática, inclusive por cortes orçamentários. De acordo com ele, verbas para Defesa Civil estadual caíram expressivamente entre 2023 e 2025, o que prejudica ações de mitigação e resposta a chuvas intensas.
Ao tratar da vulnerabilidade, o professor aponta que as áreas mais afetadas em Juiz de Fora são os bairros pobres, com menor capacidade de resiliência. Ele ressalta que a questão envolve dinamismo do mercado imobiliário, que influencia onde as pessoas podem morar e o risco de desastre.
Para ampliar a resiliência, o pesquisador da UFRJ Matheus Martins sugere soluções de engenharia. Entre elas, o uso de pôlderes para isolar áreas alagáveis e bombear o excesso de água, técnica comum na Holanda. Ele ressalta que crescemos em um vale encharcado, o que aumenta a sensibilidade a cheias.
Martins afirma que áreas próximas a rios, com várzeas, demandam planejamento que combine drenagem, parques públicos e solos mais permeáveis. Em Juiz de Fora, estudos indicam intervenções em bairros específicos, com foco em contenção de encostas e drenagem urbana.
O governo federal aprovou 30,1 milhões de reais para contenção de encostas no município entre 2024 e 2025, via Novo PAC, com liberação de 1,2 milhão até o momento. Recursos para drenagem urbana somam 356 milhões, parte de um pacote de ações estruturais.
As obras previstas integram o projeto macrodrenador Juiz de Fora + 100, em bairros como Santa Luzia, Industrial, Mariano Procópio e Democrata. A prefeitura local afirma ter estudos em andamento para intervenções, embora ainda sem conclusão de obras.
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