- A oposição driblou o presidente do Senado para manter sob escrutínio o caso envolvendo o Banco Master, usando comissões em funcionamento mesmo com o sigilo do material da Polícia Federal.
- Os arquivos apreendidos pela PF, incluindo dados de computadores e celulares do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Master, chegaram à CPMI do INSS e estão sob restrições de divulgação.
- A CPMI deverá criar um mecanismo interno de acesso restrito aos conteúdos, o que pode limitar a publicidade das informações, mesmo com o material fisicamente no Senado.
- A investigação também mira o ministro Dias Toffoli, com a Câmara aprovando a oitiva de Toffoli, de Moraes e familiares, além de solicitar informações ao Coaf sobre movimentações financeiras entre 2022 e 2026.
- Na CAE, a convocação de Vorcaro foi mantida para 3 de março, com possibilidade de depoimento presencial em Brasília, enquanto grupo de senadores acompanha o caso e avalia impactos institucionais.
Oposição contorna o impedimento de instalar CPI exclusiva e avança com investigações sobre o Banco Master e o ministro Dias Toffoli. Parlamentares usam comissões já ativas para manter o caso em pauta, mesmo com sigilo sobre material da PF. A CPMI do INSS recebeu arquivos que incluem dados de computadores e celulares do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Master, em volume estimado em dezenas de terabytes. O objetivo é ampliar a fiscalização no Senado e pressionar a pauta pública.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, pediu acesso efetivo aos conteúdos para cumprir a função de fiscalização prevista pela Constituição. A decisão de desvincular a custódia do material da presidência do Senado, determinada pelo STF, impõe um mecanismo de acesso restrito, o que pode limitar a publicidade das informações. Integrantes afirmam que o sigilo pode reduzir impacto imediato, mas manterá portas abertas para novos requerimentos.
A CPI do Crime Organizado aprovou ações para ampliar o escrutínio sobre o ministro Toffoli, mesmo com a relatoria do caso no STF sob outro magistrado. Entre as medidas, estão convites para Toffoli e Alexandre de Moraes e a análise de transações envolvendo a Maridt Participações, ligada ao empresário Vorcaro. O objetivo é investigar possíveis conflitos de interesse e relações financeiras com o Master.
Progresso e desdobramentos no Senado
A CAE marcou depoimento presencial de Vorcaro para 3 de março, em Brasília, mesmo com a decisão do STF que tornou facultativa sua presença. A comissão formou um grupo de sete senadores para acompanhar questões do Sistema Financeiro Nacional, incluindo falhas regulatórias e possíveis apadrinhamentos ligados ao Master. O depoimento pode ser um marco na avaliação institucional.
Integrantes destacam que o caso envolve figuras de alta relevância e cria clima de constrangimento entre Poderes. Parlamentares como Sergio Moro e Eduardo Girão defendem que ninguém está acima da lei, inclusive magistrados. Girão critica o que chama de segredismo e defende a abertura de uma CPI exclusiva para o tema.
Toffoli, Maridt e Tayayá: contexto do resort
O gabinete de Toffoli confirmou que ele integrou a Maridt Participações, acionista do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), até 2025. A participação foi encerrada por meio de duas operações, com venda a valor de mercado e declarações à Receita. O ministro sustenta que não houve gestão na empresa e que não recebeu valores de Vorcaro ou de seu cunhado.
A nota também afirma que a participação foi declarada e que Toffoli deixou a sociedade antes de relatar o caso do Banco Master. O ministro negou qualquer relação financeira com Vorcaro e disse que pretende responder formalmente ao STF sobre o tema. A defesa ressalta que tudo ocorreu dentro da legalidade.
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