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Termos genéricos escondem penduricalhos em salários de magistrados

CNJ identifica 37 nomenclaturas para penduricalhos em salários de magistrados punidos; STF determina revisão e suspensão de verbas ilegais, com prazo de 45 dias

Sede do Conselho Nacional de Justiça. — Foto: Rômulo Serpa/Agência CNJ
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  • O CNJ identificou 37 nomenclaturas diferentes para penduricalhos pagos a magistrados punidos, ainda após a aposentadoria compulsória, com valores acima do teto constitucional.
  • Em alguns contracheques, os vencimentos chegam a cerca de R$ 300 mil líquidos por mês, com penduricalhos como Adicional por Tempo de Serviço (ATS), Anuênio, VPNI e Parcela Autônoma de Equivalência (PAE).
  • O STF adiou para 25 de março o julgamento sobre penduricalhos e estabeleceu prazo de quarenta e cinco dias para que os Poderes expliquem e revisem pagamentos acima do teto que não estejam previstos em lei.
  • Tribunais alegam Lei de Acesso à Informação e LGPD para negar detalhes; a Transparência Brasil aponta opacidade causada pela autonomia administrativa dos tribunais.
  • O levantamento do g1 analisou contracheques de aposentados compulsoriamente entre 2008 e 2024, encontrando dificuldades de acesso e variações entre tribunais na divulgação dos dados.

O tema em debate envolve remunerações de magistrados punidos por irregularidades. Juros de mora, adicionais temporais e outras nomenclaturas aparecem em contracheques com valores acima do teto legal. A prática foi alvo de apuração do g1 a partir do painel do CNJ.

A investigação aponta 37 termos diferentes para classificar esses valores extras. Mesmo após a aposentadoria compulsória, esses penduricalhos continuam a ser pagos, gerando vencimentos mensais elevados em alguns casos.

Nesta semana, o STF decidiu suspender penduricalhos ilegais e exigir revisão dos pagamentos. A medida faz parte de uma tentativa de clarificar quais valores são legais e quais ferem o teto constitucional.

Proliferação de verbas e opacidade

O levantamento mostra a proliferação de verbas travestidas de indenizatórias para driblar o teto. Diversas nomenclaturas dificultam entender a origem, a finalidade e a legalidade dos pagamentos.

Entre os itens identificados estão o Adicional por Tempo de Serviço, “adicionais temporais” e a VPNI. Especialistas apontam que a autonomia dos tribunais facilita a confusão entre direitos adquiridos e remuneração adicional.

Transparência e pedidos de informação

Organizações de transparência destacam a necessidade de clareza nos contracheques. Tribunais têm negócios com a LAI, mas muitos não detalham as rubricas, alegando proteção de dados ou falta de base legal para os pedidos.

A falta de padronização dificulta o acompanhamento público sobre pagamentos a magistrados, incluindo aposentados compulsoriamente. O g1 manteve o esforço de mapear informações disponíveis nos painéis do CNJ e dos tribunais.

Estados e prazos: decisões em andamento

Foi combinado um prazo de 45 dias, a contar de 23 de fevereiro, para que os poderes expliquem e padronizem o pagamento de parcelas indenizatórias. As decisões do STF valem até 25 de março, com possibilidade de extensão conforme o caso.

Relatos de especialistas mostram que, em contracheques, valores chegam a somar quase 300 mil reais líquidos em um único mês, mesmo com teto rígido para salários. A Justiça afirma que a revisão busca maior transparência.

Como o levantamento foi feito

O g1 cruzou contracheques de aposentados compulsoriamente entre 2008 e 2024. Ao todo, 54 nomes permaneceram após o filtro de dados disponíveis. Em alguns tribunais, o pagamento fica sob previdência estadual, o que explica a indisponibilidade de informações completas.

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