- Relatório da Polícia Federal aponta que o juiz Macário se encontrou com o ex-presidente Michel Temer em São Paulo no dia 10 de dezembro para fazer o pedido.
- Segundo a PF, Macário é suspeito de ter vazado dados de uma operação da PF para Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Alerj.
- Investigadores cruzaram mensagens, imagens de câmeras e outros dados para reconstituir a visita, que também envolveu o deslocamento do Santos Dumont a Guarulhos por má época climática.
- Em mensagem à mulher, Macário descreveu o encontro como “muito boa” e afirmou que Temer o convenceu a não contatar Moraes, indicado ao STF.
- Macário foi preso seis dias depois, na segunda fase da operação Unha e Carne; Temer negou irregularidades e disse acreditar que Macário buscaria apoio para uma eventual candidatura ao STJ.
O juiz Macário estava sob investigação por suposto vazamento de dados de uma operação da Polícia Federal. Segundo relatório finalizado pela PF em janeiro, ele se encontrou com o ex-presidente Michel Temer em São Paulo no dia 10 de dezembro para fazer um pedido relacionado ao caso.
A PF aponta que o encontro ocorreu após o desembarque do juiz no Santos Dumont, com a aeronave seguindo para Guarulhos devido a más condições climáticas. Investigadores cruzaram mensagens, imagens de segurança e outros dados para reconstruir a visita.
Conforme o relatório, a mulher de Macário não sabia da viagem; o magistrado descreveu a conversa com Temer como produtiva e informou que o ex-presidente o orientou a não manter contato com Moraes, indicado por Temer ao STF em 2017.
Temer foi procurado pela reportagem e negou irregularidades, afirmando receber magistrados de todo o país e que pensava que Macário buscaria apoio para uma possível candidatura ao STJ. A PF, porém, mantém a linha de que houve orientação para evitar contatos.
Macário foi preso seis dias após o encontro, na segunda fase da operação Unha e Carne, a mesma que prendeu Bacellar em dezembro. A defesa afirmou à época que Moraes foi induzido a erro ao decretar a prisão. O advogado de Macário não se pronunciou recentemente.
Desdobramentos
A PF informa que Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Alerj, estava envolvido na investigação. Ele foi preso em dezembro e afastado do mandato por decisão do STF. A Alerj também teve uma nova licitação de mandatos após os fatos.
O caso envolve ainda o ex-deputado TH Joias, preso em setembro por tráfico de drogas, associação ao crime e uso do mandato para facilitar à facção criminosa. Outras 14 pessoas também foram detidas na operação.
Júdice Neto foi o relator do processo contra TH Joias, que corre na esfera estadual. A PF sustenta que o vazamento de dados poderia ter atingido o andamento das ações contra o grupo criminoso.
Entre na conversa da comunidade