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Mendonça desobriga Campos Neto de depor na CPI do Crime Organizado

Ministro André Mendonça transforma convocação de Roberto Campos Neto em convite na CPI do Crime Organizado, mantendo direito ao silêncio caso compareça

Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central
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  • O ministro André Mendonça desobrigou Roberto Campos Neto de comparecer à CPI do Crime Organizado no Senado, convertendo a convocação em convite. A oitiva estava prevista para 3 de novembro.
  • Caso decida ir, Campos Neto terá direito a permanecer em silêncio e a não produzir provas contra si.
  • A convocação havia sido aprovada pela base do presidente Lula; Campos Neto foi à frente do Banco Central no governo Bolsonaro.
  • Mendonça apontou desvio de finalidade da comissão ao propor depoimento sobre fraudes do Banco Master e a Operação Compliance Zero, sem vínculo direto com o fato investigado.
  • Não há indícios de envolvimento direto de Campos Neto com as fraudes; a decisão reforça limites constitucionais e o objeto definido pela CPI.

O ministro André Mendonça, do STF, desobrigou Roberto Campos Neto de comparecer à CPI do Crime Organizado no Senado. A oitiva estava marcada para esta terça-feira, 3, em Brasília. A decisão converteu a convocação em convite.

Caso Campos Neto decida ir, ficam garantidos direitos como o de permanecer em silêncio e de não produzir prova contra si. A medida evita obrigação de depoimento sem prejuízo para a investigação.

A base do presidente Lula aprovou a convocação de Campos Neto, que comandou o BC no governo Bolsonaro. A mudança afasta a obrigatoriedade de sua presença na comissão.

Contexto da decisão

Segundo Mendonça, há indícios de desvio de finalidade da CPI ao convocar Campos Neto para tratar de fraudes do Banco Master e da Operação Compliance Zero. O ministro aponta extrapolação do escopo da investigação.

A convocaçao foi votada no mesmo dia em que a comissão aprovou a quebra de sigilo fiscal da Maridt Participações, ligada ao ministro Dias Toffoli, medida anulada posteriormente por Gilmar Mendes.

Relatando o caso, o jornal Estadão mostrou que Campos Neto tinha conhecimento de problemas de liquidez do Banco Master e não teria acionado medidas mais drásticas. O banco foi liquidado em 2025.

Perspectiva jurídica

A decisão ressalta que não há indícios de envolvimento direto de Campos Neto com as fraudes do Master. O ministro sustenta que o poder investigatório das CPIs não pode substituir o fato determinado nem desvirtuar o objeto da investigação.

Mendonça também reafirmou que as CPIs possuem poderes próprios, mas devem respeitar os limites constitucionais e o escopo definido no requerimento de instalação. A regra é manter o equilíbrio entre investigação parlamentar e o ordenamento jurídico.

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