- Documentos da CPMI do INSS mostram que uma conta do grupo J&F, ligado ao PicPay, enviou 55,7 milhões de reais para empresas associadas a Danilo Trento entre dezembro de 2024 e abril de 2025, período do Meu INSS Vale+.
- O Meu INSS Vale+ permitia antecipar parte de benefícios; 341.100 pessoas se cadastraram e mais de 252,5 milhões foram antecipados, com o PicPay recebendo cerca de 110,5 milhões de reais.
- Há suspeita de proximidade entre representantes do PicPay e a alta esfera do INSS para a criação do programa, com datas coincidentes a normativas assinadas pelo então presidente do INSS Stefanutto.
- O PicPay disse que o programa era apenas uma opção de antecipação sem descontos; o INSS suspendeu o Vale+ em maio de 2025 e encerrou o acordo com o PicPay em janeiro de 2026.
- Investigações da Polícia Federal apontam envolvimento de Danilo Trento em desvios de aposentadorias; parte do dinheiro repassado à Trento também foi para empresas ligadas a ele, além de outras relações com entidades fiscalizadas.
O CPMI do INSS apura que o grupo J&F, que controla o banco PicPay, enviou 55,7 milhões de reais para empresas ligadas a Danilo Trento, investigado por desvios de aposentadorias. A operação ocorreu entre dezembro de 2024 e abril de 2025, quando o programa Meu INSS Vale+ ficou em vigor.
Segundo os documentos recebidos, as transfers partiram de uma conta ligada ao J&F para empresas associadas a Trento, conforme análise do COAF apresentada à CPMI. O objetivo central é entender se houve benefício a representantes do PicPay na criação do programa.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, aponta coincidência de datas entre os repasses e a implantação do Vale+, com instruções normativas assinadas por Stefanutto, então presidente do INSS. Em dezembro de 2024 o programa começou a operar, com adesão expressiva de beneficiários.
O Meu INSS Vale+ permitia antecipar parte de benefícios para gastos emergenciais. Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, 341 mil pessoas aderiram, com volume total de mais de 252 milhões de reais. O PicPay recebeu 110,5 milhões, segundo dados oficiais.
Apenas o PicPay realizou operações ativas no período, apesar de haver habilitação para outras instituições. Em maio de 2025 o INSS suspendeu o programa e, em agosto, encerrou-o. A cobrança de taxas foi apontada pela Febraban como irregular, levando ao cancelamento.
O INSS informou que o programa tinha como finalidade um adiantamento de benefícios, sem juros, descontado nos pagamentos seguintes. Em depoimento, o presidente Gilberto Waller Júnior afirmou que o Vale+ não possuía respaldo jurídico e cobrava taxas abusivas.
O PicPay publicou nota dizendo que o Vale+ era uma opção de antecipação, sem descontos diretos na folha. A Polícia Federal já apontou envolvimento de Trento em operações atreladas a irregularidades no INSS, com imagens registradas no aeroporto de Congonhas.
Entre as movimentações financeiras, houve ainda repasses de 36,5 milhões de reais para a empresa CCT Consultoria, ligada a Trento, que encerrou atividades após o fim do programa. Um total de 19,2 milhões foi para a T5 Participações LTDA, associada a Trento.
A CPMI ouviu que, em agosto de 2024, o PicPay abordou Stefanutto para apresentar a ideia da antecipação salarial. Em novembro seguinte, ajustes no normativo permitiram a criação do Vale+, com alterações visando ampliar a adesão entre beneficiários.
A atuação de Trento e o envolvimento de outras figuras ligadas ao INSS são monitorados, com diligências do TCU autorizadas e, posteriormente, desfechos envolvendo devolução de valores a segurados, conforme decisão de inspeção do órgão.
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