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Caso Master aponta milícia por ameaças, espionagem e propina a servidores do BC

Prisão de Vorcaro aponta milícia privada, espionagem e propina ligadas ao Banco Master; bloqueio superior a R$ 2,2 bilhões e risco de fuga mantêm operação em andamento

PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — Foto: Reprodução
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  • Prisões autorizadas pelo ministro André Mendonça, em sua primeira decisão como relator, no caso do Master, após a PF apontar esquema bilionário envolvendo venda de títulos de crédito falsos pelo banco.
  • Além de Daniel Vorcaro, foram presos Fabiano Campos Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e Marilson Roseno Da Silva; outros investigados recebem medidas cautelares e o Banco Central informou afastamentos de dois servidores.
  • A milícia privada chamada “A Turma”, liderada por Vorcaro, é investigada por intimidação, monitoramento de alvos e planos de violência contra jornalistas, além de acesso ilegal a dados de PF, MPF, FBI e Interpol.
  • Houve ocultação de mais de R$ 2,2 bilhões em conta do pai de Vorcaro, com uso de contas de passagem e empresas interpostas; o valor está ligado ao rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos.
  • Investigações apontam atividades do “Projeto DV” para atacar a reputação do BC, além de supostos benefícios a servidores do BC e presença de propina para costear a atuação da organização.

O ministro André Mendonça, do STF, autorizou as prisões em sua primeira decisão como relator das investigações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro. A PF cumpriu mandados em São Paulo, nesta quarta-feira, 4 de março, dentro de uma investigação de fraudes bilionárias.

Daniel Vorcaro, dono do banco, foi novamente preso em São Paulo. O cunhado dele, Fabiano Zettel, também se entregou e afirmou estar à disposição das autoridades. A apuração aponta um esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e violência para neutralizar críticos.

Segundo a PF, a operação investiga a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master e envolve uma milícia privada. A ação recebe o codinome Caso Master, associada à falta de controles internos e à ocultação de recursos.

Por que Vorcaro foi novamente preso?

A prisão de Vorcaro ocorreu a pedido da PF e foi mantida pelo ministro Mendonça para garantir ordem pública, evitar destruição de provas, coação de testemunhas e assegurar a aplicação da lei penal. Há indícios de ocultação patrimonial.

A PF aponta que, após ser solto em 2025, Vorcaro teria continuado a ocultar recursos, com bloqueios superiores a R$ 2,2 bilhões em uma conta ligada ao pai dele. A defesa nega a titularidade da conta e o montante.

Quem integra a milícia e qual é o roteiro de atuação?

A milícia conhecida como A Turma teria liderança de Vorcaro, com o operador Luiz Phillipi Mourão coordenando diligências e ações de intimidação. Um policial federal aposentado também integrava o grupo, exercendo vigilância e coleta de dados sensíveis.

Entre as práticas investigadas estão o acesso ilegal a sistemas da PF, MPF e até de organismos internacionais, depender de credenciais de terceiros, além de planos de ataques a jornalistas e conter gastos com fornecedores para facilitar a lavagem de dinheiro.

Outros investigados e medidas cautelares

Além de Vorcaro, foram presas Fabiano Zettel e Luiz Phillipi Mourão, bem como Marilson Roseno da Silva, ex-PF. Outros investigados receberam medidas cautelares, como uso de tornozeleira, proibições de contato e de deixar a comarca, com entrega de passaporte.

O Banco Central informou que identificou indícios de vantagens indevidas envolvendo dois servidores, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que passaram a cumprir medidas administrativas. A PF mantém o monitoramento dos casos.

Ocultação de recursos e consequências

Relatos da PF indicam que Vorcaro ocultou mais de 2 bilhões de reais, com vínculo à conta do pai, em meio a um contexto de rombo de quase 40 bilhões de reais no mercado, coberto pelo FGC. A defesa do pai contestou a titularidade da conta e o valor citado.

A investigação começou a ganhar contornos com a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro de 2026, quando houve bloqueios financeiros relevantes. As autoridades ressaltam que as descobertas reforçam a gravidade dos crimes apurados.

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