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Lauro Jardim sofre plano de intimidação associado a Vorcaro

Lauro Jardim é citado em mensagens da Operação Compliance Zero; Vorcaro planejou simular assalto para intimidar o jornalista e calar a imprensa

Dono do Master teria articulado plano para intimidar jornalista (Foto: Dragos Condrea / Freepik)
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  • Lauro Jardim, colunista do O Globo, teve o nome citado em mensagens apuradas pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero.
  • Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tería discutido em mensagens a simulação de um assalto para intimidar o jornalista e silenciá-lo.
  • Trechos da decisão indicam que Vorcaro sugeriu colocar pessoas para seguir Jardim e mencionar a possibilidade de agressão física, com frase: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele.”
  • O grupo alvo incluía, segundo a PF, pessoas como um ex-diretor do Banco Central e um policial civil aposentado; Felipe Mourão era apontado como coordenador de vigilância.
  • O Globo repudiou as ameaças; a Associação Nacional de Jornais manifestou solidariedade ao jornalista e elogiou a atuação da PF e do ministro André Mendonça.

Lauro Jardim é um dos nomes mais conhecidos do jornalismo político brasileiro. Colunista do O Globo, ele construiu carreira revelando bastidores de Brasília desde a década de 1990. Nesta quarta-feira (4), o jornalista voltou às manchetes, depois de ser citado em mensagens apreendidas pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero. O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é apontado como o autor de um possível plano de intimidação contra Jardim, com o objetivo de prejudicar e silenciar a imprensa.

Jardim iniciou a trajetória no O Globo, em 1989, permanecendo até 1992. Passou pela IstoÉ, editou Economia no Jornal do Brasil e integrou a Abril, na revista Exame. Em 1998, comandou a sucursal do Rio de Janeiro da Veja e, dois anos depois, ficou conhecido pela coluna Radar. Em 2015 retornou ao O Globo, onde permanece com uma coluna de destaque sobre política, economia e outros temas.

Plano de intimidação contra Lauro Jardim

Segundo a apuração da imprensa, com base em investigações encaminhadas ao STF, Vorcaro discutiu a possibilidade de simular um assalto para intimidar Jardim. A prisão do empresário foi reiterada na terceira fase da operação. A decisão assinada pelo ministro André Mendonça indica que o objetivo seria prejudicar violentamente o colunista e silenciar a imprensa contrária aos seus interesses privados.

Mensagens localizadas no celular de Vorcaro indicam a proposta de acompanhar o jornalista e a chance de agressão física durante o suposto assalto. Em trecho citado pela decisão, o grupo discute a necessidade de contundência contra Jardim. As comunicações teriam ocorrido após publicações críticas aos interesses do empresário, em um grupo denominado Turma, do qual Vorcaro participava.

A investigação aponta que o grupo reunia diferentes perfis, incluindo ex-diretores de órgãos reguladores, um policial civil aposentado e um coordenador de vigilância. Investigações apontam ainda que o coordenador utilizava credenciais de terceiros para realizar consultas em sistemas de órgãos públicos, com acessos a bases da PF, do Ministério Público e de sistemas internacionais.

Há indícios de pagamentos mensais de cerca de 1 milhão de reais destinados a financiar as atividades do grupo, repassados por um familiar de Vorcaro. O Globo repudiou as ameaças e destacou que a ação pretendia calar a voz da imprensa, princípio essencial da democracia. A defesa de Vorcaro nega as acusações e afirma cooperação com as investigações; o caso segue sob apuração no STF.

ANJ em defesa da liberdade de imprensa

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota de solidariedade ao O Globo e a Lauro Jardim, repudiando a tentativa de intimidação. A entidade elogiou a atuação da Polícia Federal e as ações do ministro André Mendonça para assegurar o livre exercício da imprensa. A nota reforça o compromisso com a defesa da liberdade de expressão.

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