- O STF e o STJ encerraram as investigações sobre o caso da rachadinha em 2021, anulando provas e deixando questões em aberto sobre a movimentação financeira de Flávio Bolsonaro.
- A denúncia apresentada em novembro de 2020 acusa o senador de chefiar uma organização criminosa para recolher parte do salário de ex-funcionários; a defesa nega as acusações.
- Perguntas não respondidas: qual era a origem do dinheiro vivo usado por Flávio e pela família para despesas e compra de imóveis, especialmente entre 2010 e 2014.
- A apuração aponta pagamentos em dinheiro vivo para venda de imóveis e despesas do senador, além de depósitos em espécie na conta da esposa e transações envolvendo familiares.
- Há também registro de cofre mantido com o irmão Carlos Bolsonaro e de acessos que coincidiam com operações imobiliárias da família, incluindo a compra de dois apartamentos em Copacabana.
O caso da rachadinha envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) foi concluído sem respostas a perguntas centrais sobre a origem de valores usados para quitar despesas e adquirir imóveis. STF e STJ haviam anuladas provas em 2021, o que deixou em aberto a movimentação financeira do senador antes de chegar ao Senado.
Flávio Bolsonaro foi denunciado, em 2020, pela Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro, sob acusação de liderar uma organização criminosa para coletar parte do salário de ex-funcionários, em benefício próprio. O conjunto de denúncias envolve desvios de recursos da Alerj.
A defesa do senador afirma que as investigações mostraram “honestidade” e que ele não enfrenta qualquer inquérito por ilícitos. A assessoria destacou que as investigações ocorreram com foco em outras pessoas do caso e em períodos distintos.
Fontes de dinheiro vivo
A apuração do MP-RJ apontou uso significativo de dinheiro vivo para despesas do senador, sem correspondência clara com saques no mesmo volume. A investigação segmentou três períodos, começando em 2007, com compras de salas na Barra.
Entre 2010 e 2014, Flávio e a mulher, Fernanda Bolsonaro, teriam tido apenas cargos públicos, sem renda declarada em espécie. Nesse intervalo, houve o maior conjunto de transações imobiliárias com gastos não comprovados.
A investigação revelou, ainda, depósitos em espécie na conta de Fernanda, incluindo dinheiro vindo de Fabrício Queiroz, e pagamentos de impostos, móveis, passagens, plano de saúde e escola das filhas do senador.
Aquisições imobiliárias e indícios de irregularidade
Entre 2012 e 2014, a compra de dois apartamentos em Copacabana, avaliados na época, gerou suspeitas. Um vendedor depositou R$ 638 mil em dinheiro vivo na data da transação, conforme apuração do MP-RJ.
O caso também apontou inconsistências em valores de venda e lucro nas transações imobiliárias realizadas pela família, com alegação de pagamento por fora e de uso de dinheiro vivo para quitar parcelas.
Cofre e depósito de acesso
O cofre mantido por Flávio e Carlos Bolsonaro no Banco do Brasil, utilizado por 12 anos, foi tema de foco da investigação. A abertura do cofre ocorreu em 2004, com registro de urgência para guarda de valores.
A presença deles no banco coincidiu com operações imobiliárias da família, incluindo a aquisição de imóveis em Copacabana. Também houve visitas durante a compra de imóveis de Jair Bolsonaro no Condomínio Vivendas da Barra.
Declaração de ações e discrepâncias
O MP-RJ indica que Flávio não declarou à Receita Federal investimento em ações realizado entre 2007 e 2008, alegadamente quitado por meio de uma corretora de São Paulo. O senador afirmou ter feito aportes, mas houve disputa judicial com a corretora.
A discrepância entre a receita de uma loja de chocolates associada a Flávio e os créditos recebidos pela administração do shopping Via Parque foi apontada como indicativo de possível lavagem de dinheiro no esquema investigado.
Conclusão do inquérito e efeito político
O encerramento do caso não fechou todas as linhas de investigação. A análise destacou que parte da documentação e provas foi anulada ou não resultou em acusação formal. O tema segue sob escrutínio público, com impactos na imagem do pré-candidato.
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