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Metrô de SP contrata escritório ligado a irmão do vice do TST para apoiar terceirização

Contrato de escritório ligado ao irmão do vice‑presidente do TST para recorrer da decisão sobre terceirização acende conflito de interesse e aumenta a tensão com metroviários

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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  • O Metrô de São Paulo contratou o escritório Caputo, Bastos e Serra Advogados para recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho de uma decisão que, no Tribunal Regional do Trabalho, proibiu terceirizações de agentes metroviários.
  • Um dos sócios do escritório é irmão do vice-presidente do TST, o ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, o que gerou questionamentos sobre conflito de interesses pelo Sindicato dos Metroviários.
  • A alteração envolvendo terceirização ocorreu em meio a redução de horas de atendimento: bilheterias passaram a funcionar em horários menores e saídas de estações são reabertas com mais demora.
  • O TRT havia revogado a decisão inicial favorável à terceirização, reconhecendo que as funções de bilhetagem e atendimento seriam atividades-fim, o que gerou disputa jurídica entre Metrô e o sindicato.
  • O custo da contratação foi de 1,6 milhão de reais, com bônus de êxito de 600 mil reais, e o Metrô sustenta necessidade técnica da ação, enquanto o sindicato afirma que a terceirização aponta para privatização e precarização do serviço.

O Metrô de São Paulo contratou o escritório Caputo, Bastos e Serra Advogados para recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho de uma decisão do TRT que proíbe terceirizações de agentes metroviários. Um dos sócios do escritório é irmão do vice-presidente do TST.

O Sindicato dos Metroviários acionou o Ministério Público e o Tribunal de Contas para apurar a legalidade da contratação e o possível conflito de interesse. A atuação envolve decisões técnicas e jurídicas sobre a terceirização.

Quem usa o transporte público na capital percebe mudanças nas estações: bilheterias com horários ampliados, fechamentos de saídas e deslocamentos maiores entre áreas da cidade. As alterações integram a estratégia de terceirização de funções.

Contrato e contornos legais

A empresa teve decisão favorável inicial na 26ª Vara do Trabalho de São Paulo, que classificou a terceirização de apoio. O sindicato recorreu, apontando que aquelas funções são atividades-fim, sob atuação de concursados, de acordo com o STF. O TRT, no entanto, reverteu a decisão.

Para avançar no recurso, o Metrô decidiu levar o caso ao TST e manter a terceirização de mais de 500 trabalhadores. O contrato com o escritório custou 1,6 milhão de reais, com bônus de êxito de 600 mil reais por vitória obtida.

A defesa do Metrô sustenta que a ação é de natureza complexa e envolve critérios técnicos, segundo o Regulamento de Licitações do Metrô e a Lei 13.303/16. Afirma ainda não haver risco de conflito de interesses por haver impedimento legal da participação do vice-presidente do TST.

Questionamentos e impactos no dia a dia

O Sindicato afirma que a privatização é parte de um movimento maior, citando a atual gestão da companhia. O presidente da entidade revelou que o Metrô não prevê concursos públicos e tende a contratar por meio de terceirizadas para novas funções.

Segundo o sindicalista, há queda na qualidade do atendimento, com alta rotatividade de funcionários, salários menores e menos direitos comparados aos concursados, prejudicando a experiência de passageiros.

O Metrô já opera as linhas 1, 2 e 3 diretamente, sendo a linha 4 administrada pela concessionária ViaQuatro. A terceirização recente envolve também áreas de manutenção de trens e trilhos, consideradas sensíveis à segurança.

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