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Mulheres negras enfrentam racismo ambiental e luta pelo direito de existir

Racismo ambiental e femicídio revelam violência estrutural; priorizar favelas é defender a vida das mulheres negras e o futuro do país

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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  • 8 de março é usado para enfatizar que priorizar as favelas significa proteger as mulheres, diante de violência, misoginia e desdobramentos do fascismo e do neoliberalismo.
  • Em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios — média de quatro mulheres mortas por dia; 62,6% das vítimas eram negras e oito em cada dez casos tiveram o agressor como parceiro ou ex-parceiro.
  • O Atlas da Violência aponta que, embora negras correspondam a cerca de 56% da população, são a maioria das vítimas de mortes violentas no país.
  • Um estudo do Greenpeace Brasil mostra que, na última década, apenas 3% do orçamento federal foi destinado à prevenção de desastres, com quedas de 86,3% em contenção de cheias e 20,6% em obras de contenção de encostas urbanas.
  • Em Minas Gerais, cortes no combate aos danos das chuvas atingiram a Zona da Mata: redução de 95,7% no orçamento público, e o voto de apoio às vítimas não ocorreu em sessão do Congresso.

O 8 de março reuniu ativistas negras, mulheres e entidades ligadas aos movimentos sociais para discutir o peso do racismo ambiental na vida das mulheres. O foco foi mostrar como a violência de gênero se entrelaça com danos ao ambiente e à moradia segura.

As participantes destacaram números que evidenciam o racismo estrutural: em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, com 62,6% das vítimas negras. A maioria ocorreu em contextos de relacionamentos anteriores, revelando vulnerabilidade ligada à cor da pele.

Ainda segundo o material divulgado, a casa das mulheres é muitas vezes o lugar mais inseguro. Dados apontam disparidades raciais e de gênero que se repetem ao longo da história e se acentuam em áreas de maior vulnerabilidade social.

Dados sobre violência e desigualdade

O IBGE aponta que pouco mais da metade dos lares é chefiada por mulheres. Em regiões pobres e periféricas, esse número cresce, com mulheres negras na linha de frente do sustento e da organização familiar.

Nas comunidades que convivem com a precariedade, lideranças femininas atuam como trabalhadoras, mães e cuidadoras. A cartografia social revela que a violência contra mulheres negras mantém-se elevada, sobretudo em contextos urbanos de baixa renda.

Despesas públicas e impactos

Um estudo do Greenpeace Brasil mostra que, na última década, apenas 3% do orçamento federal foi destinado à prevenção de desastres. Cortes atingiram áreas críticas, como contenção de cheias e encostas urbanas.

Os dados indicam que quem mora em encostas, em sua maioria, é negra e mulher. As intervenções públicas estariam defasadas, acentuando riscos climáticos e vulnerabilidade habitacional.

Caminhos e perspectivas

As participantes defendem a priorização de favelas como forma de proteger mulheres negras, reduzindo impactos de violência e de desastres ambientais. O debate ressalta a necessidade de políticas públicas neutras, com foco em direitos básicos.

O conjunto de relatos reforça a ideia de que o combate ao racismo ambiental é parte essencial da garantia de vida, moradia digna e acesso a água e saneamento. A mobilização segue para ampliar ações e exigir respostas políticas.

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