- Empréstimo de R$ 20,4 milhões do Bradesco ao grupo gestor do Tayayá, entre 2016 e 2024, passou por cinco renegociações com juros abaixo da Selic e sem multa.
- O Tayayá pertenceu à família do ministro Dias Toffoli; Toffoli tornou-se sócio da DGEP Empreendimentos em 2021, que criou o crédito, com garantias de imóveis.
- A última renegociação, em outubro de 2024, estendeu o saldo devedor de R$ 7,1 milhões para 15 de julho de 2026, acrescido de juros prefixados de 6,5% ao ano e sem penalidades por atraso.
- A DGEP foi criada por Mario Umberto Degani e Euclides Gava; Toffoli afirmou não ter participado das renegociações, e a assessoria do STF disse que ele se declarou impedido de julgar casos envolvendo o Bradesco.
- Parte da participação do Tayayá foi vendida a fundo ligado ao dono do Banco Master; investigações recentes envolvem a Operação Compliance Zero e prisões associadas ao Bank Master.
Empréstimos concedidos pelo Bradesco ao grupo gestor do resort Tayayá foram renegociados cinco vezes entre 2016 e 2024, com juros abaixo da média de mercado e sem aplicação de multa. O grupo gerido pelo Tayayá envolve membros da família do ministro Dias Toffoli, do STF, que aparece no quadro societário a partir de 2021. A última renegociação, acessada pelo Estadão, prevê pagamento de 7 milhões até julho de 2026.
A DGEP Empreendimentos, incorporadora do Tayayá, formalizou todo o crédito junto ao Bradesco. A DGEP foi criada por Mario Umberto Degani e Euclides Gava, primo e amigo de Toffoli. O projeto do Tayayá começou em 2006, com a incorporação do terreno onde fica o resort.
Toffoli tornou-se sócio da DGEP em 2021 por meio da Maridt S.A. Engenheiro José Eugênio e o padre José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro, aparecem como dirigentes da Maridt, com participação na gestão do Tayayá. O Bradesco não comentou o assunto por sigilo bancário.
Detalhes da renegociação e garantias
O empréstimo foi firmado em dezembro de 2016, com prazo inicial de três anos. O crédito de R$ 20,4 milhões teve garantias hipotecárias dadas por Degani, Gava e respectivas esposas, com apartamentos e espaços do resort. Em 2017 houve a primeira renegociação, alterando o prazo de pagamento.
A apuração do Estadão aponta ainda que, em novembro de 2018, o contrato passou a incluir 20 apartamentos como garantia adicional. A última renegociação, em outubro de 2024, estendeu o saldo devedor de 7,1 milhões para julho de 2026, com juros prefixados de 6,5% ao ano e sem multas por atraso.
Contorno institucional e impedimentos
Segundo o jornal, Toffoli afastou-se de ações envolvendo o Bradesco entre 2016 e 2018, mas teria julgado demandas do banco posteriormente, inclusive após 2021, quando já era sócio do Tayayá. A assessoria do STF informou que o ministro declarou impedimento para processos envolvendo o Bradesco.
A assessoria destacou que Toffoli sempre declarou investimentos no Tayayá à Receita Federal desde o início. Também ressaltou que o ministro se declarou impedido de julgar questões ligadas a instituições financeiras, dada a relação com o Bradesco.
Conexões com o Master e desdobramentos
Parte da participação no Tayayá foi vendida a fundo ligado ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O Estadão aponta aportes de cerca de 35 milhões nessa operação, com envolvimento de familiares do empresário e de fundos de investimento.
Segundo o levantamento, Zettel, cunhado de Vorcaro, era cotista do Fundo Leal, investiu no Tayayá por meio do FIPF Arleen e, em 2021, transferiu grandes valores a esse esquema. Em 2024 houve novo aporte do Leal, com investimentos subsequentes no Arleen em 2025.
Evolução regulatória e desfecho
Em setembro de 2021, o Arleen tornou-se sócio das empresas Tayayá Administração e DGEP Empreendimentos, fortalecendo a ligação entre o empreendimento, a gestão e investidores. A investigação sobre o Master continua, com Toffoli deixando a relatoria do inquérito em 2024.
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