- Alexander Butterfield morreu aos 99 anos, em casa na região de La Jolla, em San Diego; a confirmação foi feita pela esposa, Kim, ao The Washington Post e ao New York Times.
- Ele revelou ao Congresso o sistema secreto de gravação de áudio da Casa Branca, considerado a evidência-chave do caso Watergate que levou à renúncia de Richard Nixon.
- Em julho de mil novecentos e setenta e três, Butterfield disse ao Senado que existia um sistema de gravação que capturava conversas na Sala Oval, no Edifício Executivo da Casa Branca e no Cabinet Room, além de quatro telefones da instituição.
- A revelação ocorreu enquanto ele ainda era próximo do governo e não resultou em indiciamento para ele; Nixon acabou renunciando em 9 de agosto de 1974.
- Butterfield serviu como assessor da Casa Branca, trabalhando com o chefe de gabinete H. R. Haldeman e participou de processos históricos relacionados ao Watergate.
Alexander Butterfield, assessor da Casa Branca, morreu aos 99 anos. Ele ficou conhecido por revelar o sistema secreto de gravação de áudio de Nixon, que atingiu o que ficou conhecido como a “prova definitiva” do Watergate. A confirmação veio à imprensa por sua esposa, Kim, ao The Washington Post e ao New York Times.
Butterfield morreu em casa, na região costeira de La Jolla, em San Diego, pouco antes de completar 100 anos. Não foi divulgado o motivo da morte. Ele havia se afastado da administração muito antes do escândalo chegar ao ápice.
Natural da Flórida, Butterfield cresceu na Califórnia e estudou na UCLA. O serviço militar começou em 1948, quando ingressou na Força Aérea, chegando a comandar pilotos de reconhecimento tático no Vietnã. Posteriormente, trabalhou como assistente militar de uma autoridade sênior do Pentágono e ganhou exposição na Casa Branca.
Entrou para a equipe de Nixon como deputy do chefe de gabinete, H.R. Haldeman, e foi responsável por manter o registro histórico da Presidência, incluindo a instalação do sistema de gravação por voz. Na época da investigação, já era diretor de uma função que envolvia o acesso às gravações.
Butterfield deixou a Casa Branca para assumir o cargo de diretor da Administração Federal de Aviação (FAA), antes de o inquérito sobre o arrombamento de 1972 ganhar intensidade. Ele foi um dos poucos que sabiam da existência das gravações e optou por não mentir ou contribuir com informações não solicitadas.
Em 16 de julho de 1973, diante do Senado, Butterfield confirmou, após questionamento, a existência do sistema de gravação. Ele descreveu gravadores no Salão Oval, no Escritório Executivo, na sala do gabinete e em quatro telefones da residência oficial, alegando que o objetivo era documental.
As gravações passaram a ser centrais para a crise que derrubou Nixon. Um áudio de seis dias após o arrombamento indicou o conhecimento do presidente sobre o conluio para encerrar a investigação por motivos de segurança nacional, o que contribuiu para a renúncia em 9 de agosto de 1974.
Butterfield não foi indiciado, por não ter envolvimento direto no arrombamento ou no encobrimento. Sua relação com Haldeman o manteve próximo aos principais desdobramentos do caso, e ele foi retratado em obras e entrevistas que revelaram o ambiente conturbado da gestão Nixon.
A trajetória profissional de Butterfield incluiu colaboração com o cineasta Oliver Stone no filme Nixon (1995), em que atuou como consultor e apareceu em cena como assessor da Casa Branca. Sua vida pública ficou marcada pela revelação que ajudou a esclarecer o Watergate.
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