- Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil, afirma que o sofrimento masculino ajuda a mover a machosfera, mas não pode justificar misoginia.
- A machosfera é uma rede de grupos que discutem masculinidade, muitas vezes com viés misógino e violento; nesta semana houve mobilização relacionada ao caso “caso ela diga não”, alvo de investigação da Polícia Federal.
- A dirigente defende criar espaços para meninos compartilharem inseguranças, com saúde mental, educação emocional e modelos de masculinidade que não imponham domínio sobre mulheres.
- Observa que é necessária cooperação entre governo, empresas e sociedade civil para conter conteúdos violentos nas redes, mas regulações enfrentam dificuldades como criação rápida de novas páginas e interesses das big techs.
- Também está em debate a adaptação da Lei Modelo Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Digital de Gênero no Brasil; em 2025 houve recorde de feminicídios no país, com 1.470 casos.
O sofrimento masculino impulsiona a chamada “machosfera”, mas não pode justificar misoginia, afirma Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil. Em entrevista, ela destaca que as redes de apoio devem oferecer saúde mental e educação emocional para meninos, sem reforçar hostilidade.
Palayret ressalta que o objetivo é reduzir a violência online e favorecer espaços de pertencimento. Ela aponta que, ao melhorar a vida de meninos e homens, também se amplia a segurança e a liberdade das mulheres, beneficiando a sociedade como um todo.
A advogada francesa assumiu o comando da ONU Mulheres no Brasil em janeiro, defendendo cooperação entre governo, setor privado e sociedade civil para conter conteúdos violentos contra mulheres nas redes. Ela encara a regulação como desafio devido à facilidade de criar novas páginas e aos interesses das big techs.
Cooperação e medidas contra violência digital
A dirigente cita como caminhos fortalecer marcos legais, exigir transparência das plataformas e investir em educação digital para reconhecer discursos de ódio. Ela também discute a adaptação brasileira da Lei Modelo Interamericana de Violência Digital de Gênero, apresentada pela OEA em 2025.
Palayret observa dificuldades práticas na fiscalização de comunidades que promovem conteúdo violento, principalmente pela permanência de perfis após remoções. A advogada defende atuação integrada entre governo, plataformas e sociedade civil para reduzir a misoginia online.
O debate ocorre em meio a números chocantes: o Brasil registrou recorde de feminicídios em 2025, com 1.470 mortes no ano. Autoridades e organismos internacionais enfatizam a necessidade de ações coordenadas para enfrentar a violência de gênero tanto no espaço físico quanto digital.
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