- Ursula von der Leyen afirmou que o orden mundial baseado em regras acabou, aumentando a tensão na UE após defender a guerra contra Irã.
- Goveros, eurodeputados e analistas criticaram a atuação da presidente da Comissão por supostamente extrapolar competências em política externa.
- O presidente do Conselho Europeu, António Costa, discordou, defendendo que a UE deve defender o sistema baseado em normas e o direito internacional.
- A vice-presidenta Teresa Ribera também disse que é fundamental manter o valor do direito internacional, divergindo da leitura de Von der Leyen.
- Frases da líder europeia despertaram críticas em França, Espanha e outros países, com pressões para esclarecer a posição e resistir a ações unilaterais.
La presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o ordenamento mundial baseado em regras está esgotado e sinalizou que a UE não pode mais depender dele para defender seus interesses. A fala gerou críticas entre governos e eurodeputados que enxergam extrapolação de competências em política externa.
O debate sobre a influência da líder da Comissão ganhou nuance com divergências internas. Antonio Costa, presidente do Conselho, e Kaja Kallas, alta representante de Política Exterior, discordaram publicamente, destacando que a defesa do direito internacional continua essencial para a UE.
Costa enfatizou que o mundo é multipolar e exige soluções multilaterais, cobrando o respeito à Carta das Nações Unidas. Segundo ele, não se pode tolerar violações do direito internacional em regiões como Ucrânia, Gaza, Oriente Médio e outras áreas.
Teresa Ribera, vice-presidente da Comissão, divergiu da leitura de von der Leyen ao afirmar que a Europa deve defender o direito internacional com firmeza, apontando que as palavras da presidente foram mal interpretadas segundo ela.
A fala de von der Leyen ocorreu em um momento de atritos entre a Comissão e parte do Parlamento Europeu, que pediu esclarecimentos e chegou a considerar a possibilidade de uma moção de censura. A instituição se desculpou, tentando esclarecer o recado sobre a ordem internacional e regras.
Na prática, a controvérsia reflete a percepção de que a UE pode estar concentrando competências de política externa em determinados membros ou em setores da Comissão. Críticos afirmam que, se não houver coordenação com os estados-membros, a voz europeia pode se tornar menos eficaz.
Na Espanha, o governo de Pedro Sánchez reagiu, afirmando que a UE precisa defender o ordenamento internacional para evitar o caos. O Ministério das Relações Exteriores ressaltou que desordem internacional não serve aos interesses europeus.
França também manifestou cautela, destacando que a política externa é função da Representante da UE e do Conselho. Diplomatas lembram a necessidade de subsidiaridade e de manter a UE como voz coletiva, não como avalista da atuação de governos isolados.
A disputa acontece menos de um ano após episódios que mostraram tensões entre a liderança europeia e aliados, como na cerimônia de inauguração de iniciativas apoiadas por terceiros. Especialistas destacam que a UE precisa reforçar cooperação interna para enfrentar o desordenado cenário global.
Ao fim, a discussão revela a busca por equilíbrio entre a autonomia europeia na política externa e a manutenção de um consenso entre os estados-membros, preservando o papel da UE como guardiã do direito internacional.
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