- A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a divulgação da trend “Caso ela diga não” nas redes sociais, com vídeos que simulam agressões a mulheres; conteúdos já teriam sido removidos do TikTok.
- A pesquisa global da Ipsos em parceria com o King’s College de Londres aponta que homens da geração Z tendem a ter visão mais conservadora sobre gênero, com até 31% acreditando que a esposa deve obedecer ao marido.
- O estudo mostra também que 44% das pessoas ao redor do mundo concordam que igualdade de gênero foi levada longe demais; especialistas veem papel das redes sociais nesse movimento.
- Em Copacabana, uma adolescente de 17 anos relatou estupro coletivo; imagens exibidas pela televisão mostraram os agressores debochando da vítima após o crime.
- No Congresso, projetos visam ampliar instrumentos contra misoginia: na Câmara, Sâmia Bomfim propondo criminalizar misoginia; no Senado, proposta para incluir a misoginia na Lei do Racismo.
A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar a divulgação da trend intitulada Caso ela diga não, que incentiva violência contra mulheres. Vídeos simulando agressões a manequins foram compartilhados nas redes sociais, principalmente no TikTok. A plataforma já foi acionada para remover o conteúdo.
A investigação envolve a PF e autoridades de segurança pública, que pedem à plataforma a retirada dos conteúdos. O TikTok informou que as publicações violam suas regras e que houve remoção após identificação.
A divulgação coincide com outros episódios recentes de violência contra mulheres no Brasil. Uma adolescente de 17 anos denunciou estupro coletivo no Rio de Janeiro, em Copacabana, em 31 de janeiro.
Caso na PF e resposta das redes
Segundo a PF, conteúdos que incentivam violência contra mulheres já foram removidos após solicitação formal. A plataforma afirmou ter agido assim que identificou os materiais, que violam políticas de segurança.
Especialistas afirmam que redes sociais podem amplificar mensagens misóginas. Pesquisadores destacam que influenciadores e agentes políticos exploram insatisfações para influenciar percepções de gênero.
Dados da pesquisa global
Um estudo global liderado pelo King’s College de Londres e pela Ipsos, com 23 mil pessoas de 29 países, mostra que homens da geração Z apresentam visões mais conservadoras sobre o papel da mulher.
Até 31% dos homens jovens acreditam que a esposa deve obedecer ao marido, faixa que chega a 13% entre homens com 60 anos ou mais. A pesquisa aponta variação entre gerações e contextos culturais.
Impacto das redes sociais
A pesquisadora Heejung Chung afirma que as redes sociais têm papel central na mudança de atitudes, com influenciadores e políticos explorando queixas públicas para reconquistar apoio. Ela ressalta que pessoas imitam comportamentos sem compreender seu significado.
Penny East, da Fundação Fawcett, reforça que níveis elevados de misoginia são expostos online e offline, o que influencia as percepções sobre mulheres e direitos.
Percepção pública e igualdade de gênero
O estudo aponta que 44% dos entrevistados concordam que a igualdade de gênero foi levada ao extremo. Dados da ONU indicam que nenhum país atingiu igualdade plena; as mulheres detêm parcela maior de direitos legais, mas continuam sujeitas a discriminação e violência.
A especialista destaca que a percepção pública de avanço na igualdade não coincide com estatísticas nacionais, que mostram vulnerabilidade de mulheres em casa, nas ruas e no mercado de trabalho.
Propostas no Congresso
No Legislativo, projetos de combate à misoginia ganham espaço. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) propõe criminalizar a misoginia e a divulgação de conteúdos associados à cultura red pill em ambientes online.
No Senado, a Comissão de Direitos Humanos analisa proposta que inclui misoginia na Lei do Racismo, ampliando punições para crimes motivados por preconceito contra mulheres. A discussão tramita entre diferentes caminhos legais.
Contexto institucional
As ações apontam para uma linha de atuação integrada entre PF, plataformas digitais e Legislativo. As autoridades buscam responsabilizar quem produz e dissemina conteúdos que incentivem violência ou discriminação de gênero.
Especialistas enfatizam a importância de combinar ações de fiscalização com educação digital e políticas públicas de proteção às mulheres, visando reduzir impactos de conteúdos prejudiciais.
Observações finais
O tema envolve equilíbrio entre liberdade de expressão e proteção contra violência. As autoridades reforçam que a investigação segue critérios legais e técnicos, com coleta de evidências digitais e cooperação com plataformas.
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