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Caso Luís Pablo: STF e imprensa, quem persegue quem?

PF invade a casa de jornalista em São Luís, apreendendo dispositivos durante apuração sobre uso privado de carro oficial por ministro, acendendo debate sobre imprensa e poder

22.fev.2024 - Os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, do STF
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  • A Polícia Federal foi à casa do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida em São Luís, apreendendo computadores e celulares usados no trabalho.
  • A ação ocorreu após ele publicar reportagens sobre o uso irregular de um SUV blindado pelo ministro do STF Flávio Dino, comprado com recursos públicos.
  • A PF classificou o crime como stalking (perseguição) e enviou o caso ao Supremo Tribunal Federal, com andamento sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
  • Entidades de imprensa e organizações associadas criticaram a decisão, apontando risco para a liberdade de imprensa e para fontes de jornalistas.
  • O contexto envolve disputa política no Maranhão entre o grupo de Flávio Dino e o governador em exercício Carlos Brandão e influências do STF no cenário local.

A Polícia Federal realizou busca na casa de um jornalista em São Luís, recolhendo computadores e celulares. O material apreendido abrange dados de fontes, apurações em andamento e informações confidenciais. Motivação apontada: reportagens sobre uso de carro oficial por Flávio Dino para fins particulares.

O jornalista é Luís Pablo Conceição Almeida, do blog local. Desde novembro, ele investigava o uso de um SUV blindado do TJ do Maranhão, financiado pelo Fundo Especial de Segurança dos Magistrados, por Dino e familiares em deslocamentos privados. Até o momento, não houve desmentidos das matérias.

A operação ocorreu pela manhã, às 6h, e não houve nota oficial explicando o uso do veículo. A PF apresentou a denúncia sob o crime de perseguição, previsto no Código Penal, e o caso tramita no STF. O relator é Alexandre de Moraes, com parecer favorável da PGR em janeiro.

A PF fundamentou a acusação no artigo 147-A, o stalking, que exige conduta reiterada capaz de ameaçar a integridade da vítima. A decisão de Moraes, assinada em março, relaciona as publicações de Luís Pablo a um modus operandi similar ao de uma organização investigada no inquérito 4781.

O gabinete de Flávio Dino disse que não comentaria o caso, sem negar as informações. Luís Pablo já havia sido descrito pela imprensa local como aliado de um grupo político distinto do de Dino, que já governou o estado. O Maranhão vive disputas pela sucessão de Brandão, com alinhamentos partidários variados.

Entidades de imprensa criticaram a medida: Abraji, ANJ e outras entidades expressaram preocupação com a fundamentação e os impactos à liberdade de imprensa. A OAB do Maranhão também pediu cautela, destacando a importância do contraditório e da proteção das fontes.

O caso Luís Pablo não é isolado. Recentemente, Moraes tornou investigado o presidente da Unafisco, após críticas públicas a operações da PF. O instrumento utilizado permanece o inquérito 4781, aberto em 2019, sem objeto definido ou prazo claro.

Resta acompanhar se as autoridades apresentam fundamentação robusta para a apreensão ou se a ação será revista, com foco na preservação do sigilo de fontes e na garantia de devidas garantias legais. A discussão envolve equilíbrio entre investigação, imprensa e atuação do STF.

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