- Bolsonaristas não esperam apoio aberto de Trump a Flávio Bolsonaro, nem desejam que ele declare candidatura.
- Pesquisa Quaest mostra ambivalência: 28% dizem que o endosso de Trump aumentaria as chances de votar em Flávio; 32% apontam que ajudaria Lula.
- Duas prioridades em Washington: impedir que as big techs moderem conteúdos de bolsonaristas e, se possível, retomar sanções ou tarifas contra o Brasil.
- PCC e Comando Vermelho são apontados como potenciais Organizações Terroristas Estrangeiras; o governo Lula enfrenta resistência política para atuação dos EUA nesse tema.
- Flávio Bolsonaro esteve em Washington e pode voltar a encontrar Trump; bolsonaristas aguardam se o ex-presidente vai, de fato, apoiar a candidatura.
Houve surpresa entre bolsonaristas ao constatar que eles não esperam nem desejam um endosso público de Donald Trump à candidatura de Flávio Bolsonaro. Flávio é visto como o principal nome da direita para desafiar Lula em 2026. O encontro de posições envolve interesses estratégicos, não um simples apoio aberto.
Uma pesquisa da Quaest aponta ambiguidade: 28% acreditam que o apoio de Trump aumentaria as chances de Flávio, enquanto 32% acreditam que esse endosso beneficiaria Lula. A avaliação varia conforme o contexto, e não há consenso entre os aliados de direita.
Big techs e redes sociais
Entre as prioridades, o grupo de Flávio quer que Trump utilize todas as suas ferramentas para evitar moderação de conteúdos promovidos por bolsonaristas. O objetivo é manter o alcance das mensagens nas redes, evitando suspensões ou remoções de conteúdos considerados enganosos.
Essa estratégia envolve, segundo interlocutores em Washington, pressão para que Trump participe de negociações com o governo brasileiro sobre regulações digitais. Também haveria a possível retomada de sanções, inclusive sob a Lei Global Magnitsky, contra membros do Judiciário brasileiro, como uma etapa de dissuasão.
Segurança e atuação externa
Outra linha envolve o debate sobre o PCC e o CV, classificados como Organizações Terroristas Estrangeiras pelo Departamento de Estado. Embora o governo brasileiro tente evitar esse enquadramento, a pauta interessa a Trump, que já adotou ações contundentes contra facções criminosas na América Latina.
Para bolsonaristas, o tema de segurança pública no Brasil é um campo de vantagem política. As discussões domésticas sobre ações duras contra o crime são vistas como área de domínio da direita, mesmo diante de disputas com o governo Lula.
Visitas e contatos diplomáticos
Em janeiro, Flávio esteve em Washington e foi apresentado como herdeiro de um movimento de direita. Funcionários do governo americano acompanharam pesquisas eleitorais, e houve interesse em agenda com diplomatas brasileiros. Um pedido de visita a Brasília chegou a ser feito, mas acabou cancelado.
Em fevereiro, o governador Ronaldo Caiado recebeu feedback de diplomatas dos EUA sobre a necessidade de não dividir a direita, para não reduzir o esforço contra Lula. Em março, Flávio deve retornar aos EUA para discursar em evento com Trump, o que pode marcar a primeira aproximação direta entre os dois.
O que esperam os bolsonaristas
No conjunto, a expectativa é saber se Trump apoiará Flávio, e se o fará de modo a alinhar as condições desejadas pela base. A motivação não é apenas eleitoral: envolve percepção de soberania nacional, influência norte-americana e o impacto de eventuais ações diplomáticas ou econômicas no cenário brasileiro.
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