- Lula assina prefácio de livro de Lira Neto sobre Getúlio Vargas, com 49 falas do líder brasileiro.
- O texto revisita a relação de Lula com Vargas, destacando passagem de líder sindical a presidente eleito.
- O petista aponta que, no passado, criticava a CLT por associá-la à influência do fascismo, mas hoje defende a conquista trabalhista.
- A mudança de visão ocorreu após Lula ler a biografia de Vargas de Lira Neto, publicada entre 2012 e 2014.
- Lula cita episódios de Vargas, como a criação da Petrobras e o slogan “O petróleo é nosso!”, e evita mencionar as faces mais controversas do ditador.
Lula grava o prefácio de um livro sobre Getúlio Vargas, ao lado do jornalista Lira Neto. A obra, chamada Trabalha dores do Brasil! Discursos à Nação, sai ainda nesta semana pela Editora Contracorrente. O livro reúne 49 falas históricas de Vargas, de estudante à presidência, encerrando em 1954.
O petista revisita o papel de Vargas em três páginas do prefácio, ressaltando a relação entre o líder trabalhista e o Estado Novo, regime de 1937 a 1945, que depois voltou ao poder eleito em 1950. A referência ao passado busca dialogar com temas atuais no Brasil.
Durante a juventude sindical no ABC paulista, Lula era crítico da CLT. Hoje, em posição de presidente, ele aponta que a crítica era vinculada a uma leitura de que havia vínculos entre CLT e um projeto autoritário. A mudança ocorre após leitura da biografia de Lira Neto sobre Vargas.
Mudanças de leitura sobre Vargas
A biografia de Vargas, publicada entre 2012 e 2014 em três volumes, é citada por Lula como marco para revisar a visão sobre o ex-presidente. Em 2006, durante campanha de reeleição, Lula fez referência visual associando a imagem de Vargas à exploração do pré-sal para evidenciar avanços econômicos.
Lula também destaca o slogan criado para a Petrobras em 1953, O petróleo é nosso, associando Vargas a pautas de soberania nacional e industrialização. O tema é recorrente em falas do atual governo, especialmente neste terceiro mandato.
O prefácio aponta que Vargas é visto como figura multifacetada: revolucionário de 1930, ditador do Estado Novo e o estadista que impulsionou a industrialização. A análise busca apresentar elementos que ajudam a entender escolhas políticas pela atual administração.
Lula evita tratar as facetas mais controversas de Vargas, como a aproximação com regimes durante a Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, o prefácio enfatiza que muitos temas de Vargas permanecem relevantes para debates sobre educação, soberania e desigualdade.
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