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Guerra no Irã pode atrasar a transição energética da Colômbia

Alta dos preços do petróleo, impulsionada por conflitos no Oriente Médio, pressiona a Colômbia a manter a transição energética sem ampliar licenças de óleo

President of Colombia Gustavo Petro gestures during an event regarding the restoration of the San Juan De Dios Hospital in Bogota, Colombia, on Jan. 27.
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  • O governo de Iván Petro mantém a aposta na transição energética just, com fim de novas licenças de exploração de petróleo e gás, apesar de resistência interna e riscos macroeconômicos; eleição de maio pode redefinir o rumo.
  • Em dois mil e vinte e quatro, mais de setenta e cinco por cento da demanda energética veio de combustíveis fósseis, com o petróleo respondendo por mais de quarenta por cento das fontes; águas recorrentes de exportação ainda sustentam as receitas públicas.
  • Investimentos internacionais já começam a chegar: empréstimo de duzentos milhões de dólares para projetos solares e expansão do programa Colômbia Solar; aproximação com a China, incluindo a Belt and Road.
  • Colômbia tornou-se membro da Agência Internacional de Energia (quarenta e três), sediará em abril a conferência internacional sobre descarbonização de combustíveis fósseis, e apoia o Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis, com adesões de cerca de dezoito países.
  • Desafios internos e externos oneram a agenda: é estimado um investimento de quarenta bilhões de dólares na próxima década; manter apoio internacional e coalizões legislativas é crucial para sustentar a transição.

Colômbia mantém seu plano de transição energética mesmo diante da alta global do petróleo provocada por tensões entre EUA, Israel e Irã. O governo de Gustavo Petro aposta no fim gradual de licenças para exploração de óleo e gás, mantendo a aposta em energias limpas para sustentar o crescimento.

A economia colombiana depende de combustíveis fósseis há décadas, com petróleo respondendo por mais de 40% da demanda de energia em 2024. O país é exportador relevante de petróleo e carvão, o que sustenta receitas públicas e empregos.

O conjunto de mudanças traçado pelo governo, apresentado no Plano de Desenvolvimento Nacional 2022-2026, prioriza energia renovável, redução da dependência de fósseis, combate a crimes ambientais e promoção de veículos de emissão zero ou reduzida.

Contexto da transição energética

A participação de energia renovável na matriz elétrica subiu de 2% para 16% desde a implementação do plano, em pouco mais de três anos. No entanto, mais de 75% da demanda energética total ainda é atendida por fósseis, com óleo representando parte significativa das exportações.

A resistência interna ao fim de novas concessões de exploração de petróleo e gás é um dos principais entraves. Críticos do governo avisam que receitas de exportação sustentam a estabilidade macroeconômica, o que complica a construção de um modelo econômico menos dependente de hidrocarbonetos.

Cenário político e eleições

Entre os prováveis candidatos à sucessão presidencial, Iván Cepeda é visto como continuidade da agenda de Petro, enquanto Abelardo de la Espriella aparece com uma plataforma conservadora mais orientada a segurança e mercado livre. A eleição ocorre em maio, com Petro impedido de se reeleger.

As eleições legislativas de março deixaram o Congresso fragmentado, o que dificulta a aprovação de reformas necessárias para a transição. Será preciso construir coalizões amplas para avançar mudanças regulatórias e licenças ambientais.

Investimentos e cooperação internacional

Estimativas apontam necessidade de cerca de US$ 40 bilhões na próxima década para ampliar a energia limpa e substituir receitas fósseis. O planejamento tem atraído investimentos internacionais, ainda que abaixo do necessário no momento.

O Banco Europeu de Investimento, em parceria com Enel Colombia, anunciou empréstimo de US$ 200 milhões para projetos solares no Atlântico, ampliando o acesso de 1,5 milhão de pessoas à eletricidade limpa. A iniciativa integra o programa Colombia Solar.

Parcerias estratégicas e caminhos futuros

A cooperação com a China ganha destaque, com adesão à Belt and Road em 2025 para viabilizar tecnologia e insumos de energia solar, baterias e mobilidade. A China busca mercados para painéis, baterias e soluções associadas diante de restrições comerciais em outras regiões.

Diplomaticamente, Colombia atua como voz protagonista em clima internacional, ingressando na Organização Internacional da Energia (IEA) como 33ª membro. Em abril, o país co-hostará uma conferência sobre fase de retirada de combustíveis fósseis com a Holanda, em meio a disputas globais sobre transição energética.

Cenário internacional e desafios

Quase 18 países já apoiam a ideia de um Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis para orientar a cooperação entre nações na transição. Questiona-se se os EUA buscarão minar esse processo por meio de pressões diplomáticas ou econômicas, conforme observado em episódios recentes.

A conferência internacional sobre retirada de fósseis marca uma resposta a pressões geopolíticas, com objetivo de demonstrar que liderança climática pode coexistir com estabilidade econômica. A iniciativa visa atrair investimentos e tecnologia para transição justa.

Desafios de implementação

O sucesso depende de apoio internacional e de políticas públicas consistentes. Medidas de transição fiscal, acesso preferential para exportações de baixo carbono e financiamento concessionário são fundamentais para manter a viabilidade do plano. A ausência de coalizões pode comprometer o projeto.

Colômbia busca equilibrar ambição climática, estabilidade macroeconômica e soberania diante de um cenário internacional de competição entre grandes potências. A continuidade dependerá de investimentos, acordos e governança eficaz para avançar a transição energética.

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