- O governo de Iván Petro mantém a aposta na transição energética just, com fim de novas licenças de exploração de petróleo e gás, apesar de resistência interna e riscos macroeconômicos; eleição de maio pode redefinir o rumo.
- Em dois mil e vinte e quatro, mais de setenta e cinco por cento da demanda energética veio de combustíveis fósseis, com o petróleo respondendo por mais de quarenta por cento das fontes; águas recorrentes de exportação ainda sustentam as receitas públicas.
- Investimentos internacionais já começam a chegar: empréstimo de duzentos milhões de dólares para projetos solares e expansão do programa Colômbia Solar; aproximação com a China, incluindo a Belt and Road.
- Colômbia tornou-se membro da Agência Internacional de Energia (quarenta e três), sediará em abril a conferência internacional sobre descarbonização de combustíveis fósseis, e apoia o Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis, com adesões de cerca de dezoito países.
- Desafios internos e externos oneram a agenda: é estimado um investimento de quarenta bilhões de dólares na próxima década; manter apoio internacional e coalizões legislativas é crucial para sustentar a transição.
Colômbia mantém seu plano de transição energética mesmo diante da alta global do petróleo provocada por tensões entre EUA, Israel e Irã. O governo de Gustavo Petro aposta no fim gradual de licenças para exploração de óleo e gás, mantendo a aposta em energias limpas para sustentar o crescimento.
A economia colombiana depende de combustíveis fósseis há décadas, com petróleo respondendo por mais de 40% da demanda de energia em 2024. O país é exportador relevante de petróleo e carvão, o que sustenta receitas públicas e empregos.
O conjunto de mudanças traçado pelo governo, apresentado no Plano de Desenvolvimento Nacional 2022-2026, prioriza energia renovável, redução da dependência de fósseis, combate a crimes ambientais e promoção de veículos de emissão zero ou reduzida.
Contexto da transição energética
A participação de energia renovável na matriz elétrica subiu de 2% para 16% desde a implementação do plano, em pouco mais de três anos. No entanto, mais de 75% da demanda energética total ainda é atendida por fósseis, com óleo representando parte significativa das exportações.
A resistência interna ao fim de novas concessões de exploração de petróleo e gás é um dos principais entraves. Críticos do governo avisam que receitas de exportação sustentam a estabilidade macroeconômica, o que complica a construção de um modelo econômico menos dependente de hidrocarbonetos.
Cenário político e eleições
Entre os prováveis candidatos à sucessão presidencial, Iván Cepeda é visto como continuidade da agenda de Petro, enquanto Abelardo de la Espriella aparece com uma plataforma conservadora mais orientada a segurança e mercado livre. A eleição ocorre em maio, com Petro impedido de se reeleger.
As eleições legislativas de março deixaram o Congresso fragmentado, o que dificulta a aprovação de reformas necessárias para a transição. Será preciso construir coalizões amplas para avançar mudanças regulatórias e licenças ambientais.
Investimentos e cooperação internacional
Estimativas apontam necessidade de cerca de US$ 40 bilhões na próxima década para ampliar a energia limpa e substituir receitas fósseis. O planejamento tem atraído investimentos internacionais, ainda que abaixo do necessário no momento.
O Banco Europeu de Investimento, em parceria com Enel Colombia, anunciou empréstimo de US$ 200 milhões para projetos solares no Atlântico, ampliando o acesso de 1,5 milhão de pessoas à eletricidade limpa. A iniciativa integra o programa Colombia Solar.
Parcerias estratégicas e caminhos futuros
A cooperação com a China ganha destaque, com adesão à Belt and Road em 2025 para viabilizar tecnologia e insumos de energia solar, baterias e mobilidade. A China busca mercados para painéis, baterias e soluções associadas diante de restrições comerciais em outras regiões.
Diplomaticamente, Colombia atua como voz protagonista em clima internacional, ingressando na Organização Internacional da Energia (IEA) como 33ª membro. Em abril, o país co-hostará uma conferência sobre fase de retirada de combustíveis fósseis com a Holanda, em meio a disputas globais sobre transição energética.
Cenário internacional e desafios
Quase 18 países já apoiam a ideia de um Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis para orientar a cooperação entre nações na transição. Questiona-se se os EUA buscarão minar esse processo por meio de pressões diplomáticas ou econômicas, conforme observado em episódios recentes.
A conferência internacional sobre retirada de fósseis marca uma resposta a pressões geopolíticas, com objetivo de demonstrar que liderança climática pode coexistir com estabilidade econômica. A iniciativa visa atrair investimentos e tecnologia para transição justa.
Desafios de implementação
O sucesso depende de apoio internacional e de políticas públicas consistentes. Medidas de transição fiscal, acesso preferential para exportações de baixo carbono e financiamento concessionário são fundamentais para manter a viabilidade do plano. A ausência de coalizões pode comprometer o projeto.
Colômbia busca equilibrar ambição climática, estabilidade macroeconômica e soberania diante de um cenário internacional de competição entre grandes potências. A continuidade dependerá de investimentos, acordos e governança eficaz para avançar a transição energética.
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