- Depol abriu investigação sobre ameaças de morte, estupro e tortura contra a deputada Carol Dartora, autorizada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta.
- Mensagem chegou às 2h46 de domingo, enviada por Lucas Bovolini Martins via ProtonMail com sede na Suíça, com insultos racistas e misóginos e a promessa de que ela “vai pagar”.
- Dartora acionou a Polícia Federal e notificou a Procuradoria-Geral da República, o Ministério da Justiça, a Secretaria da Mulher da Câmara e a liderança do PT; PGR também foi informada.
- A investigação envolve ameaça qualificada, injúria racial, violência de gênero e ciberterrorismo; há pedido de cooperação internacional pela jurisdição suíça do serviço utilizado.
- O episódio é visto como ataque ao mandato; Dartora aponta ligação com dois projetos de lei apresentados recentemente (PL 1144/2026 e PL 1145/2026) que tratam de misoginia digital. Observou-se que, em 4 de fevereiro de 2025, a mesma pessoa enviou mensagem semelhante para outra parlamentar.
O Departamento de Polícia Legislativa da Câmara (Depol) abriu investigação sobre ameaças de morte, estupro e tortura direcionadas à deputada federal Carol Dartora (PT-PR) por meio do e-mail institucional. A apuração foi autorizada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).
A mensagem chegou às 2h46 de domingo e foi enviada por um homem que se identificou como Lucas Bovolini Martins, usando um endereço de ProtonMail com sediamento na Suíça. O conteúdo continha insultos racistas, misóginos e menções a violência sexual.
Além do Depol, Dartora acionou a Polícia Federal para abertura de inquérito. O gabinete informou à Procuradoria-Geral da República, ao Ministério da Justiça, à Secretaria da Mulher da Câmara e à liderança do PT, hoje chefiada por Pedro Uczai. O procurador-geral Paulo Gonet também recebeu cópia.
Investigações e desdobramentos
A parlamentar solicitou cooperação internacional para identificar o autor, pela jurisdição do serviço criptografado utilizado. Em ofícios, Dartora descreveu o episódio como ataque ao exercício do mandato e pediu reforço de segurança institucional.
A polícia legislativa já recebe informações para traçar a linha de investigação, incluindo a identificação de ligações com ataques a outras figuras públicas. O caso também envolve análise de elementos que possam caracterizar violência política de gênero e ciberterrorismo.
Dartora atribui as ameaças a dois projetos de lei protocolados na sexta-feira, o PL 1144/2026 e o PL 1145/2026, que tratam de endurecimento de penas em crimes contra mulheres na internet e responsabilização de plataformas. As propostas preveem ainda punições mais severas para grupos organizados ligados a discursos misóginos.
A deputada pediu ainda medidas de proteção para o mandato e solicitou que o Ministério Público avalie ações cabíveis para assegurar a integridade de equipes, assessorias e dependências da Câmara. O governo interno da casa foi acionado para acompanhar a situação.
Contexto adicional
Em 4 de fevereiro de 2025, uma deputada estadual do PSOL no Pará recebeu uma mensagem similar, enviada sob o mesmo nome do suspeito. O caso anterior aponta para uma possível escalada de violência contra parlamentares negras e mulheres que atuam em pautas de combate ao racismo e à discriminação.
As autoridades destacam que as investigações devem seguir com técnica e cautela, visando a identificação do autor e a responsabilização criminal. Os desdobramentos para as medidas de proteção já estão em curso.
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