- A deputada Maria Gorete Pereira (MDB-CE) foi alvo de uma operação da Polícia Federal e passou a usar tornozeleira eletrônica; a defesa disse que não cometeu ilícitos.
- A PF aponta que fraudes no INSS eram articuladas pela Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen), com descontos mensais nas aposentadorias de quase meio milhão de associados.
- A presidente da Aapen, Francisca da Silva de Souza, de 72 anos, afirma ter sido enganada e assumido o cargo sem conhecimento; a Defensoria a classifica como “laranja”.
- Além de Gorete Pereira, foram presos a advogada Cecília Rodrigues da Mota, ex-presidente da Aapen, e o empresário Natjo de Lima Pinheiro, apontados como controladores de diversas entidades por meio de procurações.
- A sede da Aapen foi fechada no ano passado, o que dificulta ações judiciais de aposentados que buscam ressarcimento e indenizações.
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira uma operação que envolve fraude no INSS e apontou a deputada federal Maria Gorete Pereira, do MDB-CE, como articuladora do esquema. Gorete Pereira passou a usar tornozeleira eletrônica após atendimento policial. A defesa da parlamentar afirma que não houve prática de ato ilícito.
A apuração envolve a Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional, sediada em Fortaleza, conhecida como Aapen. A entidade já vinha sendo processada por sua presidente anterior, que afirma ter sido enganada ao assumir o cargo sem saber.
Francisca da Silva de Souza, hoje com 72 anos, é apontada pela PF como vítima instrumentalizada pela fraude. A Defensoria Pública do Ceará afirmou que ela foi inserida como dirigente sem participar de gestão, recebendo cobranças de credores e tendo o CPF em risco.
Envolvidos e desdobramentos
Além de Gorete Pereira, a PF prendeu preventivamente a advogada Cecília Rodrigues da Mota, que já presidia a Aapen e aparece em conjunto com outras pessoas no esquema. O empresário Natjo de Lima Pinheiro também é citado nos autos.
Segundo a PF, o grupo usava diversas entidades — AAPB, CAAP, AAPEN, PROBASP — com presidentes formais e diretorias próprias, mas controladas de fato por laranjas, com o objetivo de desviar recursos. A prática era mantida por meio de procurações.
Situação das entidades e impactos
A sede da Aapen, localizada em Fortaleza, foi fechada em 28 de abril do ano passado, poucos dias após a deflagração da operação anterior. O fechamento dificultou ações Judiciais de ressarcimento e indenização contra as organizações.
O governo federal lançou, no ano passado, um plano nacional de ressarcimento aos aposentados, que, segundo advogados, não assegura pagamento rápido ou integral. Muitos processos já tinham ganho, porém, dependiam de localização dos responsáveis para effective recuperação.
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