- Faturas de cartão de crédito de Ciro Nogueira foram pagas por dois deputados do PP do Piauí, Átila Lira e Júlio Arcoverde, totalizando cerca de R$ 17 mil em 2024.
- O lançamento está em comunicado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) ligado à BK Bank, fintech apontada em investigações como núcleo financeiro do PCC para lavagem de dinheiro.
- A Caixa Econômica Federal classificou o comportamento da conta de Nogueira como inusitado, com movimentações incompatíveis com o patrimônio e transferências não justificadas, incluindo uma remessa em dólares de R$ 25.821,19 em junho.
- Em junho, Átila Lira quitou boleto de R$ 3.457,00 referente a cartão de crédito do BRB que tem Nogueira como titular; Júlio Arcoverde informou que o pagamento pode estar relacionado a encomendas feitas durante viagens.
- Em 17 de junho, Ciro Nogueira efetuou o pagamento de uma fatura de R$ 120.839,96 no BRB; o caso envolve possíveis mecanismos de ocultação de origem de recursos e implicações legais, com vínculos mencionados entre familiares de Arcoverde e o gabinete de Nogueira.
Ao todo, faturas de cartões de crédito associadas a Ciro Nogueira somaram cerca de R$ 17 mil, pagas por dois deputados do PP-PI. As informações constam de um comunicado ao COAF ligado ao relatório sobre a BK Bank, fintech citada em investigações da PF sobre lavagem de dinheiro.
O senador Ciro Nogueira é apontado como titular de contas que receberam desse pagamento faturas de 2024, quitadas por Átila Lira e Júlio Arcoverde, ambos do PP-PI. O material integra o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do COAF relacionado ao BK Bank.
Segundo a Receita Federal, o crime organizado movimentou R$ 46 bilhões através do BK Bank. A Caixa Econômica Federal classificou o comportamento da conta de Nogueira como inusitado, com o período analisado de janeiro a junho de 2024.
Detalhes dos pagamentos e respostas
No dia 4 de junho de 2024, Átila Lira quitou uma fatura de R$ 3.457,00 de um cartão de crédito do BRB, com Ciro Nogueira como titular. O deputado afirmou ao g1 que não houve pagamento por sua parte nem pela esposa, contestando o informe da Caixa.
Em 19 de junho, o senador teve outra fatura quitada, desta vez de R$ 13.693,54, creditada a Júlio Arcoverde. O deputado afirmou que o pagamento pode ter relação com encomendas de viagens internacionais de Nogueira, sugerindo que a operação não foi realizada por ele.
No dia 17 de junho, Nogueira quitou uma fatura de R$ 120.839,96 com o BRB, ligada ao caso Master. A Caixa relatou movimentações incompatíveis com o perfil do cliente e apontou possíveis artifícios para ocultar a origem dos recursos.
Movimentação e possíveis irregularidades
A instituição financeira destacou transferências internacionais sem justificativa de origem e recebimentos em dólares, de natureza não explicada, totalizando cerca de R$ 25.821,19. O dinheiro veio de um condomínio em Miami Beach, ligado a um proprietário de banco citado no relatório.
O relatório também aponta que Arcoverde tem vínculo familiar com um funcionário do gabinete de Nogueira, o que inclui o filho de Arcoverde, lotado desde 2020 no gabinete do senador. O funcionário recebe salário mensal estável.
Pelo ordenamento brasileiro, o pagamento de obrigações por terceiros é permitido em certas circunstâncias, desde que não haja impedimento legal. Contudo, a legislação de lavagem de dinheiro pode enquadrar tais ações como ocultação de origem de recursos.
Aspectos legais e relação com Vorcaro
Advogados e especialistas mencionam que o uso de terceiros para quitar débitos pode configurar crime de lavagem ou improbidade administrativa se utilizado para maskar a origem ou beneficiar agentes públicos.
O caso também envolve ligações do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master Bank. Mensagens e registros elevam o escrutínio sobre relações entre autoridades e o setor financeiro, com atenção para operações envolvendo fundos de alto valor.
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