- CPI do Crime Organizado rejeitou a convocação de Valdemar Costa Neto por 6 votos a 4; o requerimento mirava as doações de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, maior doador de Bolsonaro e de Tarcísio em 2022; Zettel está preso.
- Também será avaliada a convocação da ex-assessora da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Giselle dos Santos Carneiro da Silva, para apurar possível esquema de lavagem de dinheiro envolvendo despesas pessoais de Michelle.
- A comissão deve analisar a quebra dos sigilo bancário e fiscal de Guedes e Campos Neto, além de solicitar ao Cofaz (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) Relatórios de Inteligência Financeira sobre as movimentações.
- Os requerimentos vinculam o caso ao governo Bolsonaro, como parte de estratégia para associar o caso Master ao bolsonarismo; Guedes foi ministro de Bolsonaro e Campos Neto foi indicado para o BC pelo ex-presidente.
- O requerimento de convocação do ex-prefeito ACM Neto foi retirado de pauta a pedido do autor; também foram retirados outros pedidos de Ronaldo Vieira Bento e Willer Tomaz; está marcada a oitiva de Paulo Sérgio Neves de Souza e Vladimir Timerman.
A CPI do Crime Organizado no Senado rejeitou o pedido de convocação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. A votação ocorreu nesta terça-feira, por 6 votos a 4, após o requerimento ser apresentado pelo senador Humberto Costa. O foco era apurar doações de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Voraro, apontado como operador financeiro do esquema Master.
O pedido ligava Costa Neto ao suposto fluxo financeiro do grupo, que teria relação com as campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022. Zettel está preso, suspeito de atuar como operador financeiro de Vorcaro. A defesa de Costa Neto recomendou que o tema não avançasse sem provas mais robustas, mas o relator manteve o voto pela rejeição.
Avanços e próximos passos
A CPI também envolve a possibilidade de convocar Giselle dos Santos Carneiro da Silva, ex-assessora da ex-primeira-dama Michele Bolsonaro, para investigar possível lavagem de dinheiro ligada a despesas pessoais. A oitiva depende de deliberação da comissão, com decisão ainda pendente hoje.
A comissão deve ainda avaliar a quebra de sigilos bancário e fiscal de Paulo Guedes e Roberto Campos Neto. Também estão na pauta pedidos para que o Coaf produza Relatórios de Inteligência Financeira sobre as movimentações dos dois. A intenção é entender a relação entre as figuras e o grupo investigado.
Contexto político e relação com o governo
Requerimentos apresentados por Costa estendem o foco para o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme estratégia petista para conectar o caso Master ao bolsonarismo. Guedes foi ministro do governo Bolsonaro, e Campos Neto foi indicado pelo mesmo presidente para o Banco Central. O desfecho pode influenciar a leitura sobre a atuação de autoridades econômicas.
ACM Neto teve pauta de convocação retirada a pedido de Humberto Costa, que alegou falta de consenso. Também houve retirada de propostas para Ronaldo Vieira Bento, ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro, e de Willer Tomaz. A sessão prevê ainda a oitiva de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, afastado por suspeita de consultoria informal a Vorcaro, e de Vladimir Timerman, fundador da gestora Esh Capital.
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