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Investigação aponta jogo duplo envolvendo Rivaldo Barbosa

Condenação de Rivaldo Barbosa levanta pressão pela revisão de inquéritos arquivados sob seu comando, com potencial de novas investigações

O delegado Rivaldo Barbosa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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  • O delegado Rivaldo Barbosa foi condenado a dezoito anos de reclusão por corrupção e obstrução de justiça no caso Marielle Franco.
  • A sentença desperta suspeitas sobre outros inquéritos arquivados durante o período em que Barbosa ocupou posições na Polícia Civil.
  • Em fevereiro, a vereadora Monica Benício e o deputado Tarcísio Motta protocolaram no Ministério Público pedido de revisão urgente de inquéritos arquivados na década em que Barbosa comandou a polícia.
  • A defesa de revisão cita que casos de homicídio, violência relacionada ao crime organizado e operações de milícias podem precisar de reabertura para assegurar o devido processo legal.
  • A Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência de Estado (Raave) e autoridades defendem que investigações sejam revisadas por órgãos federais, para investigar possíveis vínculos entre o crime organizado e estruturas de poder.

O delegado Rivaldo Barbosa foi condenado a 18 anos de reclusão por corrupção e obstrução de justiça, por atuar para atrapalhar investigações ligadas ao assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. A decisão aponta que ele operava de forma dupla, mantendo relação próxima com as famílias das vítimas enquanto influenciava as apurações.

A sentença, proferida no âmbito de ações envolvendo o caso Marielle, levanta questionamentos sobre a conduta de Barbosa durante o período em que ocupou cargos de comando na Polícia Civil. A defesa sustenta que não houve sesgo, mas o tribunal entendeu haver propina e interferência em investigações.

Impacto em outros inquéritos

Relatórios indicam que, sob a liderança de Barbosa, diversos inquéritos foram arquivados ou adiados. Em 2023, o Ministério Público reabriu casos arquivados durante o período em que ele esteve à frente da DHC e da Divisão de Homicídios. A reabertura busca esclarecer estruturas de impunidade apontadas por decisões judiciais.

A repercussão envolve investigações de homicídios por disputas territoriais, grilagem de terras e atividades do crime organizado. Familiares de vítimas destacam o risco de que novos casos também tenham sido influenciados por interesses contrários à elucidação completa dos fatos.

Pedidos de revisão e autoridades envolvidas

Deputados do PSOL protocolaram ofício solicitando revisão urgente dos inquéritos arquivados entre 2010 e 2020. O objetivo é assegurar o devido processo legal e restaurar a confiança nas apurações. O texto também ressalta a necessidade de verificar a cadeia de custódia das provas.

A Rede Raave solicita federalização de casos de letalidade policial envolvendo possíveis influências de Barbosa e outras autoridades. A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio analisa a medida, já apoiada pela Procuradoria da República no estado. A intenção é ampliar a fiscalização em investigações sob influência de agentes públicos.

Reações e perspectivas

Defensores públicos destacam a importância de reavaliar investigações sob influência de figuras com poderes institucionais. Questionam se o padrão de obstrução se repetiu em outros casos e se houve proteção a crimes de milícia ou de atuação do crime organizado.

Membros da família de Marielle e autoridades ligadas à defesa dos direitos humanos enfatizam a necessidade de apuração completa. Eles destacam que a revisão de inquéritos pode trazer respostas sobre a atuação de redes criminosas dentro de instituições do estado.

Contexto institucional

Especialistas apontam que o caso envolve uma possível infiltração de estruturas criminosas em funções de poder no Rio de Janeiro. A discussão atual foca na continuidade de investigações, revisões de provas e a ação de autoridades federais para assegurar transparência e responsabilização.

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