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Novo presidente chileno reverte políticas do antecessor e corta cultura

Governo de José Antonio Kast corta 3% dos gastos de todos os ministérios, incluindo Cultura, provocando reação de artistas e incerteza sobre programas culturais

Chile's previous president Gabriel Boric (left) receives his successor José Antonio Kast (right) in December 2025
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  • O presidente eleito, José Antonio Kast, autorizou um corte de três por cento no orçamento de todos os ministérios, medida anunciada pelo ministro da Fazenda em nove de março, dois dias antes de ele tomar posse.
  • Entre os 25 ministérios, o de Culturas, Artes e Patrimônio fica em 16º em orçamento; o governo anterior aumentou os recursos desse setor, chegando a cerca de $580 milhões em 2026, ante $310 milhões em 2023.
  • Diferentemente de administrações anteriores, Kast não apresentou um programa cultural; especialistas ressaltam que não houve um plano cultural formal.
  • O ministro das Culturas, Artes e Patrimônio, Francisco Undurraga, disse que o ministério avalia como aplicar o corte de três por cento, enquanto a União Nacional de Artistas alertou que a demanda pode indicar cortes adicionais.
  • Além do corte de três por cento, o governo busca cortar mais 1 bilhão de dólares entre os ministérios, enquanto tramita no Senado o Projeto de Lei de Patrimônio Cultural.

O governo do Chile, sob o mandato de José Antonio Kast, anunciou em 9 de março um corte de 3% no orçamento de todos os ministérios, incluindo o Ministério das Culturas, Artes e Patrimônio. A medida, apresentada antes da posse oficial do presidente, integra o plano de reduzir gastos públicos.

A proposta vem após anos de aumento no orçamento da pasta cultural, soba administração de Gabriel Boric, que elevou o orçamento para cerca de 580 milhões de dólares em 2026. A trajetória incluiu a incorporação de programas de outras áreas ministérios e chegou a tentar chegar a 1% do gasto público, sem sucesso. Observatório de Políticas Culturais registra o teto próximo de 0,56%.

O novo ministro das Culturas, Artes e Patrimônio, Francisco Undurraga, de Evópoli, afirmou que o ministério estuda como aplicar o corte de 3%. O recado sustenta que há gastos excessivos na área, o que provoca preocupação entre a União Nacional de Artistas, que contestou a avaliação. A entidade também afirmou que o investimento continua insuficiente.

A maior parte do orçamento do ministério fica com a Subsecretaria de Culturas e Artes, e o Serviço Nacional de Patrimônio Cultural, responsáveis por políticas, projetos, bibliotecas, arquivos e museus, incluindo o Museu Nacional de Belas Artes, em Santiago. Autoridades comentam que algumas iniciativas podem ser eliminadas para cumprir o corte.

Desdobramentos e críticas

A gestão também pretende avançar com o cancelamento de programas, como o passe cultural voltado a jovens de baixa renda, para reduzir despesas. Analistas e ex-titulares indicam que o objetivo é tornar a máquina pública mais enxuta, com maior supervisão sobre gastos e avaliação de resultados.

Enquanto isso, o governo acelerou a tramitação do Projeto de Lei de Patrimônio Cultural no Senado, iniciado em 2019, que visa modernizar a proteção e a gestão do patrimônio no Chile. A medida busca manter o impulso de preservação, mesmo diante de ajustes orçamentários.

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