- Vídeo mostra protesto de entregadores no Rio de Janeiro em 26 de janeiro, mas está fora de contexto e não é contra o governo Lula.
- Publicações enganosas afirmam tratar-se de uma manifestação contra o governo e impostos; na verdade, o protesto ocorreu após mortes de motoboys no trabalho.
- O protesto ocorreu pouco depois de dois entregadores serem mortos em menos de uma semana, motivando a mobilização por mais segurança.
- A forbindelse com o PLP 152/2025 envolve a discussão sobre valor mínimo por entrega; a última versão previa R$ 8,50, enquanto o governo quer chegar a R$ 10.
- A checagem correspondente informou que não houve proposta de taxação pelo governo Lula; o vídeo foi editado para omitir o final do registro.
O conteúdo viraliza após ser misturado com uma imagem antiga de mobilização de entregadores no Rio de Janeiro. No entanto, a filmagem não retrata uma ação contra o governo Lula, mas um protesto ocorrido em 26 de janeiro, após a morte de motoboys no trabalho.
Segundo apuração, o registro mostra dezenas de entregadores reunidos em uma avenida, com buzinas e palavras de ordem em megafone. Um trecho do áudio indica críticas ao que era visto como insegurança para a categoria. As falas, porém, foram alteradas em circulação online.
A situação ocorreu em meio a mortes de motoboys em menos de uma semana na cidade. Um jovem de 22 anos foi morto durante entrega de pizza na Zona Oeste, com valores de motocicleta levados pelos criminosos. Outro caso semelhante ocorreu na Zona Norte.
O material falso circula junto a legendas sobre cobrança de impostos e aumento de tarifas. Postagens sostêm que o governo, ligado ao PT, planejava tributar entregadores ou impor taxas mínimas de remuneração por corrida. Não houve confirmação oficial desse teor.
Contexto legislativo
A divulgação coincide com discussões sobre o PLP 152/2025, que regula o trabalho por aplicativos. A proposta tramita na Câmara e envolve representantes do governo e do Congresso. A versão mais recente prevê um ganho mínimo por entrega, entre valores que variaram ao longo do tempo.
— A versão apresentada pelo relator, em dezembro, elevava o piso para entregas a 8,50 reais; o governo buscava chegar a 10 reais. A pauta envolve reajustes e critérios de remuneração para motoristas e entregadores.
O Fato ou Fake já-checado destacou que não houve proposta do governo para taxar entregadores em 10 reais por corrida. O tema permanece controverso e sujeito a mudanças conforme novas tramitações parlamentares.
A checagem reforçou que o vídeo é autêntico, mas fora de contexto. A gravação original mostra um protesto específico no RJ, ligado a tragédias recentes no setor de entregas. Não se trata de uma mobilização contra o governo federal.
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