- O Supremo Tribunal da Indonésia determinou que o governo publique os estudos de impacto ambiental relativos ao Sepaku Semoi Dam e ao Sepaku River intake, ligados aos projetos da nova capital Nusantara em East Kalimantan.
- A decisão foi proferida após ação da Jatam (Rede de Advocacy de Mineração) e lida no Ministério da Informação, o KIP, no início de março, assegurando transparência.
- Os documentos avaliam impactos ambientais imediatos e cumulativos e apontam medidas para evitar danos ao meio ambiente.
- Segundo ativistas, as obras deslocaram famílias Balik no distrito de Penajam Paser, incluindo a relocação de cerca de 35 túmulos de ancestrais; o Sepaku River intake prevê 16 quilômetros de tubulações até Nusantara, com capacidade de 3.000 litros por segundo.
- A decisão não exige divulgação de documentos de engenharia; o governo pode contestar apenas por segurança nacional ou buscar revisão judicial completa, o que pode limitar a divulgação total.
O Supremo Tribunal Federal da Indonésia ordenou ao governo a divulgação dos estudos de impacto ambiental de dois projetos ligados à nova capital, Nusantara, em East Kalimantan. A decisão ocorreu após ação do Jatam, rede de defesa de mineração. O caso foi lido formalmente no KIP, o Comitê de Informação, no início de março.
A medida obriga o Ministério de Obras Públicas e Habitação a publicar os documentos ambientais sobre a Represa Sepaku Semoi e a captação do Rio Sepaku, dois projetos de água que geram tensões com comunidades locais. Organizações da sociedade civil afirmam que a divulgação permitiria escrutínio adequado.
As obras são apontadas como responsáveis pela remoção de famílias Balik, no distrito de Penajam Paser, em uma das maiores obras do país. A comunidade Balik, que soma cerca de 1.000 pessoas, possui língua distinta do grupo Dayak da região.
A captação do Rio Sepaku envolve uma tubulação de 16 quilômetros até Nusantara, com capacidade de 3.000 litros por segundo. A função da represa Sepaku Semoi é assegurar o abastecimento de água para a capital e áreas vizinhas, segundo o governo.
Comunidade local relata impactos em assentamentos próximos durante a construção. Relatos citam o deslocamento de cerca de 35 túmulos de ancestrais Balik, herdados de duas décadas. Organizações apoiam que a divulgação atendaria aos requisitos legais de transparência.
Abdul Azis, procurador de Jatam no estado de East Kalimantan, destaca que documentos ambientais, técnicos e demais materiais devem ficar acessíveis ao público. O grupo solicitou a divulgação pública há mais de dois anos, após o Ministério de Obras ter negado o pedido.
O Tribunal Superior rejeitou apelo do ministério, mantendo a decisão de tornar os documentos públicos obrigatória. As autoridades ainda podem recorrer em casos de divulgação parcial por motivos de segurança nacional ou rever a decisão judicial.
O governo já sinalizou que pode adotar medidas para cumprir a decisão. O caso ocorre em meio a debates sobre o financiamento do projeto Nusantara, anunciado em 2019 pelo então presidente Joko Widodo, com custos estimados em 466 trilhões de rupias.
Entre na conversa da comunidade