- Daniel Vorcaro foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília e iniciou negociações para uma delação premiada, assinando termo de confidencialidade com a PGR e devendo assinar com a PF para uma delação conjunta.
- Nesta sexta-feira, Vorcaro terá reunião com o advogado Juca para definir os próximos passos; houve reunião anterior no STF sobre a possibilidade de delação.
- Caso haja acordo, as recompensas dependem da utilidade da colaboração e da verificação das informações; o Ministério Público e o STF (no caso de Vorcaro) homologariam o ato, com eventual redução de pena, medidas restritivas ou perdão judicial.
- A investigação da PF aponta que o celular de Vorcaro contém diálogos com autoridades políticas, além de contatos com ministros do STF e o presidente do Banco Central, entre outros.
- Há investigação sobre supostas mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes; Moraes nega envolvimento, e a CPMI do INSS pediu explicações sobre um número vinculado ao STF, já usado por Moraes.
Após a transferência para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, o banqueiro Daniel Vorcaro iniciou movimentos para uma possível delação premiada. O primeiro passo foi assinar um termo de confidencialidade com a PGR, abrindo caminho para colaboração sobre as investigações do Banco Master. A tendência é que ele também assine com a PF para uma delação conjunta.
Nesta sexta-feira (20), Vorcaro terá reunião com o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, para definir os próximos passos. Na terça-feira (17), o advogado participou de reunião no STF com Mendonça para discutir a possibilidade de delação.
Caso avance, Vorcaro precisará fornecer informações efetivas e verificáveis que contribuam para as investigações, com maior benefício conforme a relevância e a comprovação das informações. A lei prevê redução de pena, substituição por medidas restritivas de direitos ou até perdão judicial, sujeitos à avaliação do MP e homologação pelo Judiciário.
Investigação da PF
A PF realizou a perícia do celular de Vorcaro, revelando diálogos com autoridades políticas. A maior parte das mensagens foi com a ex-namorada Martha Graeff, nas quais o banqueiro descreve reuniões e avaliações sobre políticos.
A perícia também identificou contatos com autoridades do Judiciário, do Congresso e do sistema financeiro. Estão entre os nomes mencionados ministros do STF, o presidente do Banco Central e o ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Souza, alvo recente de operação da PF.
A apuração aponta referências a decisões envolvendo o caso Master, bem como menções a uma empresa associada à família de Toffoli que vendeu participação no Resort Tayayá, no Paraná. Toffoli afirmou não participar da gestão do negócio e descreveu a empresa como administrada por parentes.
Suposta conversa com Moraes
Parte das investigações analisa uma suposta troca de mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, em 17 de novembro de 2025, data da primeira ordem de prisão. Registros de imagens que somem após abertura e capturas de tela com menções ao Banco Master aparecem, mas os metadados indicam divergências sobre o momento de criação.
Moraes negou qualquer envolvimento com Vorcaro e classificou as informações como ilação mentirosa. Em nota, o ministro afirmou não ter recebido as mensagens.
Contato de Moraes
A CPMI do INSS pediu esclarecimentos ao STF sobre um número de telefone vinculado ao tribunal que teria trocado mensagens com Vorcaro. Segundo apuração, o número já foi utilizado por Moraes, ainda que ele tenha mudado de linha recentemente.
O colegiado enviou ofício à diretora-geral do STF para confirmar a titularidade do telefone no período das comunicações. A CPMI busca esclarecer quem estava com a linha nessa época.
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