- Iván Cepeda, candidato presidencial da esquerda, busca vencer em primeira volta (31 de maio) e afirma ser o único estrategista de sua campanha.
- Diz que o confronto não é com Paloma Valencia nem com Abelardo de La Espriella, e sim contra Uribe; defende campanha austera e distância de “política espetáculo”.
- Destaca a luta contra a corrupção como eixo central, defendendo reformas estruturais e abrindo espaço para debate sobre mudanças constitucionais sem abandonar o diálogo político.
- Anuncia Aida Quilcué como fórmula vicepresidencial, ressaltando o significado e o simbolismo da escolha além de votos diretos.
- Sobre temas de segurança e paz, aponta possível negociação com o ELN, críticas ao sistema de saúde e mantém postura crítica em relação a intervenções externas, preservando soberania e diálogo com Estados Unidos e Venezuela.
Iván Cepeda, candidato presidencial de esquerda, afirma que seu objetivo é vencer na primeira rodada e manter uma postura austera, distante de um governo de “política espetáculo”. Em entrevista, ele disse que a sua estratégia é própria, sem copiar ninguém, ainda que integre um partido de governo.
Cepeda recebe EL PAÍS em seu apartamento em Bogotá, cercado por suas três cachorras. O trecho da entrevista revela que Abelardo de La Espriella e Paloma Valencia são rivais de contendores na corrida, mas o foco dele é um confronto direto com Uribe, segundo suas palavras.
O candidato ressaltou que mantém relação cuidadosa com o presidente Petro, sem expor detalhes de suas conversas. Afirmou que não transforma Petro em fator de campanha nem recebe instruções, destacando ser o único estratega de sua candidatura.
Cepeda defende uma agenda ética, com ênfase no combate à corrupção. Disse que a corrupção é sistêmica no país e que precisa de reformas profundas, com uma política que vise mudanças estruturais para enfrentar os problemas nacionais.
Sobre sua escolha de Aida Quilcué como companheira de chapa, o candidato afirmou que o significado e o símbolo importam mais do que o potencial eleitoral imediato. Considera necessária a escolha diante da ameaça de extermínio de comunidades indígenas.
Em relação à primeira volta, Cepeda admite não saber números exatos de apoio, mas aponta que há uma parcela da população receptiva ao governo atual e que não pretende isolar esse segmento. Enfatiza a construção de alianças.
Quanto a Paloma Valencia e Abelardo de la Espriella, Cepeda afirma que ambos representam a direita, mas o seu combate não é contra eles e sim contra Uribe. Diz que a visão de segurança defendida por Valencia é associada ao ódio, segundo ele.
Sobre as alianças, o candidato afirma que não depende apenas do Pacto Histórico e que busca acordos amplos com diferentes setores. Aposta em ampliar o apoio para vencer em primeira volta, sem reduzir a base de apoio.
No campo econômico e institucional, Cepeda defende uma mudança constitucional debatida, sem defender a Constituinte de forma radical. Propõe diálogo nacional para reformas constitucionais e mudanças profundas, sem pressupor o uso de mecanismos específicos.
A respeito de segurança e violência, o candidato diz que não apoiará, de forma irrestrita, medidas como bombardeios ou uso extensivo de glifosato. Observa que tais ações geram dilemas de direitos humanos e devem ser avaliadas com cuidado ao assumir o cargo.
Sobre negociações de paz, Cepeda afirma que não considera a paz como fracasso, e que há aprendizados com o processo com o ELN. Enfatiza que pode reabrir negociações sob condições adequadas, mantendo a busca por avanços.
Em relação ao sistema de saúde, o candidato atribui a crise a um modelo com alta participação de privados, sob influência da corrupção. Defende a necessidade de uma reforma por meio de diálogo, sem internar o Estado em exclusividade.
Sobre a relação com os Estados Unidos, Cepeda elogia a postura de Petro em manter diálogo respeitoso. Reafirma a soberania nacional frente a pressões, destacando a necessidade de cooperação sem abrir mão de interesses do país.
Quanto a intervenções externas nas eleições, o candidato diz que há ações de setores de direita que tentam dificultar sua campanha em Washington, e solicita respeito à sua candidatura e ao voto popular, indicando existência de pressões externas.
A respeito de Venezuela, Cepeda assume posição crítica a violações de direitos humanos, ao mesmo tempo reconhecendo autonomia venezuelana para resolver seus problemas. Defende uma transição pacífica e relações estáveis entre os países.
Foco da campanha e visão de futuro
Cepeda aponta que representa uma visão de futuro para Colombia e para o planeta, destacando a necessidade de transformações sociais para reduzir violência e insegurança. Afirma não ser um produto político pronto para consumo, mantendo sua identidade e princípios.
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