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Delação de Vorcaro envolvendo ministros enfrenta oposição no STF

Delação de Vorcaro contra ministros do STF pode enfrentar forte oposição no tribunal e ser derrubada, limitando relatos e provas

Contatos de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli foram encontrados no celular de Daniel Vorcaro. (Foto: Victor Piemonte/STF)
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  • O ex-banqueiro Daniel Vorcaro pode apresentar delação premiada envolvendo ministros do STF, mas enfrenta forte oposição interna à Corte.
  • Mesmo com acordo firmado com a Polícia Federal e homologação esperada pelo relator André Mendonça, parte dos ministros busca impedir ou fragilizar relatos e provas sobre vínculos com Toffoli e Moraes.
  • Vorcaro transferiu-se, a pedido da defesa, do presídio de segurança máxima para a superintendência da PF em Brasília, abrindo caminho para negociações com a PGR.
  • O STF já sinalizou que pode usar o precedente da anulação da delação de Sérgio Cabral para barrar um acordo que comprometa ministros, citando Toffoli e Moraes.
  • Caso haja envolvimento de Vorcaro com Toffoli e Moraes, a PF poderá exigir novas provas e detalhes para manter a delação, sob risco de relação ser considerada insustentável pela PGR.

Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, pode firmar delação premiada envolvendo ministros do STF, mas deve enfrentar forte oposição interna na Corte. Mesmo com acordo firmado com a PF e homologação pendente pelo ministro relator André Mendonça, setores da casa avaliam resistência que pode inviabilizar o entendimento.

Nesta quinta-feira, a pedido da defesa, Mendonça transferiu Vorcaro do presídio de segurança máxima de Brasília para a superintendência da PF na capital. O passo abriu caminho para negociações com a PGR, segundo apuração, e Vorcaro assinou acordo de confidencialidade para iniciar o processo.

Panorama na PF e no STF

A delação é alvo de cautela entre ministros, que avaliam a possibilidade de contestar o acordo caso haja exposição de autoridades. Precedente de 2021, quando a delação de Sérgio Cabral foi anulada, é citado como instrumento para frear revelações contra ministros.

Entre os citados por Vorcaro estariam Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, mencionados em mensagens de encontros privados. A PF investiga se houve proteção judicial mediante negócios, ligados à compra de resort e à contratação da esposa de Moraes por valores elevados.

A trajetória do precedente

O caso Cabral resultou em oito inquéritos no STF e, após denúncias adicionais, levou à anulação da delação a pedido da PGR, sob alegação de má-fé do colaborador. A decisão considerou ilegal a colaboração sem adequada autorização da instituição.

A PGR, ao longo dos anos, passou a alinhar-se mais ao STF, com o atual Procurador-Geral, Paulo Gonet, indicado em 2023, tendo forte proximidade com ministros influentes. A relação entre a PGR e o STF molda a abertura de inquéritos contra autoridades com foro.

Desdobramentos esperados

Especialistas explicam que a colaboração exige a detalhamento de crimes e apresentação de provas, sob o risco de ser rejeitada sem evidências. Parte de provas já consta nos autos, mas novos relatos de Vorcaro seriam necessários para fundamentar acusações contra os ministros.

A PF já tem informações de contatos entre Vorcaro e Toffoli, Moraes e outros. Caso o acordo avance, a defesa pode tentar apresentar relatos que limitem acusações apenas a relações pessoais ou empresariais, buscando evitar indícios de crime por parte dos ministros.

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