- Em menos de três meses, Delcy Rodríguez redesenhou o gabinete venezuelano, já substituindo mais de um terço dos ministros, incluindo áreas como Defesa, Transporte, Energia Elétrica, Hidrocarbonetos, Trabalho, Educação Superior, Cultura, Habitação e Turismo.
- A mudança mais anunciada foi a saída do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, substituído pelo general Gustavo González López. Outros ajustes militares incluíram a direção da Contrainteligência Militar, com o contralmirante Germán Gómez Lárez, e a Guarda de Honra Presidencial, com o general Henry Navas Rumbos; o comandante do Comando Estratégico Operacional, Domingo Hernández Lárez, deixou o cargo.
- No âmbito civil, passaram a responder por ministérios-chave: Energía Eléctrica, Rolando Alcalá; Hidrocarbonetos, Paula Henao; Transporte, Jacqueline Farías; Trabalho, Carlos Castillo; Educação Universitária, Ana María San Juan; Cultura, Raul Cazal; Habitação, Jorge Márquez; entre outras mudanças.
- Tarek William Saab foi nomeado presidente da Gran Misión Viva Venezuela, programa ligado ao Ministério da Cultura, reabilitando uma figura associada ao regime.
- Analistas destacam que as alterações visam definir o perfil de Rodríguez, afastar traços do madurismo e consolidar lealdade interna, enquanto a reação da oposição foi de apatia.
Delcy Rodríguez, presidenta encargada de Venezuela, vem promovendo mudanças significativas no gabinete desde 3 de janeiro. Em menos de três meses, quase metade dos 32 cargos foi remanejada, diluindo a influência de Maduro e definindo um perfil próprio para a gestão.
Neste mês, alterações atingiram Defesa, Transporte, Hidrocarburos, Energia Elétrica, Trabalho, Vivienda, Educação Universitária, Turismo e Cultura. Reformas anteriores abrangeram Indústrias, Comunicações, Ecosocialismo e Aguas e Despacho da Presidência.
Essas mudanças visam recompor o poder interno, sem sinalizar abertura governamental. O foco é manter lealdade institucional e alinhar a equipe ao novo eixo de comando, com foco em cargos-chave ocupados por civis técnicos em muitos casos.
Mudanças na Defesa e no aparato militar
Vladimir Padrino López deixou o cargo de ministro da Defesa após 12 anos. O posto passa ao general Gustavo González López, especializado em inteligência e próximo à cúpula do PSUV. A direção de Contrainteligência Militar fica com o contralmirante Germán Gómez Lárez, e o Regimento de Guardia de Honor Presidencial, com o general Henry Navas Rumbos.
A saída de Padrino também provocou a retirada do general Domingo Hernández Lárez, diretor do Comando Estratégico Operacional. A reforma militar é apresentada como parte do redesenho do poder, com foco na fidelidade institucional.
Reformulações em Energia, Transporte e Habitação
No Ministério de Energia Elétrica, o engenheiro Rolando Alcalá assume a pasta; o anterior titular, Jorge Márquez, passa para Vivienda y Hábitat. Hidrocarburos fica com Paula Henao, conhecida pela proximidade com Rodríguez. Transporte passa a Jacqueline Farías, ligada a diversas pastas nos últimos anos.
O Ministério da Habitação é assumido por Márquez, enquanto Transportes recebe Farías, substituindo o vice-almirante Ángel Coronado. Na área trabalhista, Eduardo Piñate sai e Carlos Castillo assume a pasta. Educação Universitária fica com Ana María San Juan.
Cultura, Educação e reação política
Cultura passa a Raul Cazal, com perfil civil e alinhado à continuidade da agenda bolivariana. Educação Universitária fica sob gestão de Ana María San Juan, com atuação independente do chavismo. Em Cultura, o perfil técnico permanece próximo ao legado revolucionário.
Especialistas indicam que as mudanças visam consolidar lealdade à nova liderança e projetar uma gestão com maior autonomia. Observadores ressaltam que não há indicação de abertura democrata, apenas reorganização de alianças internas.
A oposição venezuelana tem reagido com apatia diante dos anúncios, mantendo o distanciamento e evitando críticas contundentes até o momento. As mudanças continuam a moldar o funcionamento interno do governo chavista.
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