- STF inicia julgamento no plenário virtual de ação do PT contra a privatização da Sabesp, aprovada em dois mil e vinte e três e concluída em dois mil e vinte e quatro, com relatório do ministro Cristiano Zanin.
- PT aponta irregularidades, incluindo possível conflito de interesses de uma executiva que atuou em empresa interessada antes de entrar no conselho da Sabesp, além de questionar o leilão com apenas um concorrente e preço abaixo do valor de mercado.
- Sabesp e governo de São Paulo negam irregularidades; defesa afirma que o sigilo do preço mínimo foi necessário para evitar distorções e que ações foram vendidas acima do piso.
- STF já rejeitou pedido de suspensão da privatização em dois mil e vinte e quatro, sob argumento de que seria preciso analisar fatos e provas, e que paralisação poderia causar prejuízos ao estado.
- AGU divergiu, defendendo posição contrária à lei, mas viu inadequação da ação; PGR pediu arquivamento; julgamento pode impactar o modelo de privatização e as implicações políticas para o governo paulista.
O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou hoje o julgamento, em plenário virtual, de ação apresentada pelo Partido dos Trabalhadores contra a privatização da Sabesp, a companhia de saneamento de São Paulo. A norma contestada foi a lei de 2023, assinada pelo governo de Tarcísio de Freitas, que autorizou a desestatização, concluída em 2024. O relator é o ministro Cristiano Zanin, que liberou o caso para análise de mérito, com previsão de conclusão até o dia 27 de março.
O PT sustenta irregularidades no processo. Entre os pontos, aponta possível conflito de interesses envolvendo uma executiva que atuou em empresa interessada na operação antes de integrar o conselho da Sabesp. O partido também critica o modelo de venda, argumentando que houve apenas um concorrente no leilão e que o preço das ações estaria aquém do valor de mercado.
A Sabesp e o governo paulista negam irregularidades. Em defesa apresentada ao STF, a empresa afirma que as alegações são genéricas e que manter o sigilo do preço mínimo visou evitar distorções e ampliar a arrecadação. Segundo a Sabesp, as ações foram vendidas acima do piso mínimo.
Ponto de decisão do STF
Em 2024, o STF já rejeitou pedido de suspensão da privatização, feito pelo PT. O então presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, entendeu que a análise requer aprofundamento de fatos e provas, e que a paralisação poderia prejudicar o Estado de São Paulo. A decisão atual pode consolidar ou revisar o modelo de privatização, com impacto jurídico e político.
Divergências entre órgãos
A Advocacia-Geral da União (AGU) manifestou-se contra a lei de privatização, mas considerou inadequado o tipo de ação do PT. Já a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento do processo. As posições oficiais refletem o debate sobre o marco regulatório da desestatização.
Implicações e leitura do caso
A decisão do STF pode influenciar futuras operações envolvendo a Sabesp e servir de referência para debates sobre privatizações no estado. O julgamento atual não altera o controle acionário já estabelecido, mas pode determinar critérios legais para desestatizações semelhantes.
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