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Seis meses escondidos do ICE: relato de fuga

Família imigrante em Chicago vive medo constante de prisões pela imigração; operações recentes geram insegurança, custos médicos e desorientação familiar

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  • Em Chicago, operações do ICE desde setembro intimidaram bairros de imigrantes, com vans pretas não identificadas, vigilância em vias públicas e incidentes como a polícia da região do condado e operações abruptas que levaram à prisão de dezenas de pessoas.
  • Um episódio revelou violência associada às operações: o motorista colombiano Silverio Villegas González, sem antecedentes criminais, foi morto pelos agentes após suposto recuo de veículo; a resposta de segurança desencadeou maior presença policial em ruas, shoppings e escolas.
  • No fim de setembro, o ICE ocupou um prédio na South Side, com entrada forçada e prisões de 37 pessoas durante a madrugada, em operação que causou medo entre familiares de imigrantes.
  • Ava e Sam, cuja história foi narrada para ilustrar o cotidiano de quem foge de violência e dificuldades, migraram do México para os Estados Unidos buscando melhor vida; Ava em particular entrou com um pedido de Status de Proteção Temporária (Proteção Temporária) durante a gestão Biden.
  • Após uma série de dificuldades, incluindo gestão de custos médicos, medo constante e deslocamentos, o casal conseguiu retornar à vida na cidade de Chicago com a família, mantendo cautela e planos de contingência caso haja novas ações do ICE.

Ava e Sam vivem em Chicago sob a sombra de operações do ICE desde a última temporada. Após meses de silêncio, o casal enfrentou a possibilidade de prisão de um dos membros da família, enquanto circulavam relatos de prisões em locais comuns como supermercados e lojas.

A família, que já havia buscado proteção por meio de status de proteção temporária, viu a vida cotidiana se transformar em rotina de esconderijos. Forças de segurança passaram a vigiá-los em diferentes pontos da cidade, incluindo bairros de imigrantes.

O temor começou na fronteira entre Estados Unidos e México, quando Ava cruzou o país em busca de melhores oportunidades. O marido, que chegou aos EUA em 2022, trabalhava em construção para sustentar os filhos, que agora vivem com a incerteza constante.

Contexto das ações do ICE em Chicago

Em setembro, agentes chegaram com frotas de vans não marcadas, acompanhadas de helicóptero Black Hawk, para reforçar a presença em bairros com grande demanda imigrante. Em poucos dias, houve prisões em grande escala e confrontos com a comunidade.

No fim de setembro, uma mega operação levou 37 pessoas a serem detidas em uma noite, com amplo registro de busca de moradores, coleta de documentos e revistas em residências. O alcance das ações gerou medo e mudanças no comportamento de comerciantes e moradores.

Em novembro, uma professora colombiana foi removida durante o expediente de uma creche, em uma situação que intensificou a apreensão entre famílias locais. As operações passaram a ocorrer em diversos pontos, como praças, estacionamentos e áreas próximas a órgãos judiciais.

Impacto na vida familiar

Desde o início das ações, o casal evitou atividades em grupo, para reduzir riscos. Um dos filhos passou a demonstrar ansiedade, com pesadelos e retraimento escolar, enquanto a filha com necessidades especiais recebeu apoio de clínicas locais.

Ava, sem fluência em inglês, buscou oportunidades de trabalho em comércios da região, entregando currículos manualmente e se informando sobre medidas de segurança. O objetivo é manter a família unida ante a possibilidade de afastamento de um dos membros.

A situação financeira ficou ainda mais sensível após problemas de saúde envolvendo Sam, que precisou buscar atendimento médico de urgência sem risco de exposição. O custo de tratamento é uma preocupação constante sem garantia de cobertura.

O casal mantém planos de contingência com familiares no México e completou treinamentos de preparação para eventual detenção. Apesar do medo, seguem tentando manter a normalidade em casa e na vida das crianças.

A história da família revela como as ações do ICE impactam vidas comuns em comunidades imigrantes, entre violações de direitos, riscos à saúde e à estabilidade familiar.

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