- Robert F. Kennedy Jr. foi nomeado para liderar o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, com foco crítico sobre a CDC desde sua confirmação em fevereiro de 2025.
- Kennedy classifica a CDC como “a agência mais corrupta” e apoiou demissões em massa promovidas pela DOGE, praxis que resultou na saída ou demissão de cerca de 2.400 funcionários, equivalente a 18% do quadro.
- Ele propõe realocar partes da CDC para uma nova entidade, a Administração para uma América Saudável, mantendo a CDC dedicada ao monitoramento de doenças infecciosas.
- Críticos argumentam que o objetivo real é desmontar programas de vacinação, nos quais a CDC desempenha papel central; em junho, Kennedy substituiu 17 membros votantes do ACIP por pessoas alinhadas ao seu ponto de vista.
- Entrevistados dizem que, apesar de avanços recentes, há preocupações com cientistas sendo preteridos e com a nomeação de assessores políticos, além de incertezas sobre o futuro da expertise pública e da resposta a ameaças à saúde.
Ontem, o governo de Donald Trump anunciou a nomeação de Robert F. Kennedy Jr. para chefiar o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS). Kennedy ficou conhecido por divulgar desinformação sobre vacinas por meio da Children’s Health Defense e do movimento MAHA. O anúncio ocorreu após ele encerrar a própria candidatura presidencial.
Desde a confirmação em fevereiro de 2025, Kennedy tem criticado fortemente o Centers for Disease Control and Prevention (C.D.C.), órgão federal responsável pela saúde pública. Ele chamou a agência de “a mais corrupta do HHS, talvez do governo”, e apoiou demissões em massa promovidas pela DOGE de Elon Musk. Entre janeiro de 2025 e agora, cerca de 2.400 servidores deixaram o C.D.C. ou foram desligados.
Kennedy defende reduzir o tamanho do C.D.C. para criar uma nova entidade chamada Administração para uma América Saudável (Administration for a Healthy America), mantendo o C.D.C. apenas com foco no monitoramento de doenças infecciosas. Críticos veem na proposta uma reorientação para enfraquecer programas de vacinação em que a agência tem papel central.
Situação atual e críticas
Entrevistas com mais de 40 funcionários ou ex-funcionários do C.D.C. mostram avaliação ambivalente. Reconhecem falhas iniciais na resposta à Covid-19, como testes diagnósticos inadequados e mensagens contraditórias, mas ressaltam avanços recentes. Alega-se que especialistas estão sendo marginalizados pela influência de indicados políticos.
No mês de junho, Kennedy demitiu todos os 17 membros votantes do ACIP, grupo que orienta recomendações de vacinas. A ideia é substituir esses integrantes por pessoas alinhadas às suas posições. A ex-diretora Susan Monarez afirma ter sido demitida por recusar alterações sem evidência científica; Kennedy nega as acusações.
Reações oficiais e próximos passos
O HHS não disponibilizou Kennedy para entrevistas. Em nota, Andrew Nixon afirmou que, em menos de um ano, o secretário restabeleceu o C.D.C.’s foco na luta contra doenças infecciosas e substituiu lideranças resistentes à reforma. Do White House, o porta-voz Kush Desai enfatizou que a gestão busca devolver a confiança pública por meio de ciência comprovada.
Funcionários e fontes anônimas temem pela perda de décadas de know-how técnico, argumentando que isso pode deixar o país mais vulnerável a ameaças sanitárias. A narrativa em Washington gira em torno de reformas profundas versus preservação de programas de vacinação sob supervisão do C.D.C.
Contexto e repercussões
A tensão envolve uma disputa entre foco técnico do C.D.C. e uma visão de reorganizar a saúde pública com base em decisões políticas. A administração afirma buscar padrões científicos estáveis para orientar políticas. Críticos alertam que mudanças estruturais podem reduzir a cooperação interna e a continuidade de estratégias de vigilância.
Entre na conversa da comunidade