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Governo Lula avança com judicialização de trechos do PL Antifacção

Governo Lula aposta no STF para derrubar trechos inconstitucionais do PL Antifacção, adotando estratégia de redução de danos após mudanças no texto

Governo Lula adota uma estratégia de “redução de danos” e aposta no controle de constitucionalidade pelo Supremo para o restante
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  • Lula sanciona o PL Antifacção, mas governo aposta que ao menos um trecho inconstitucional será derrubado pelo STF.
  • Planalto vê o texto alterado no Congresso, sob influência do relator, dificultando a capacidade de moldar o conteúdo final.
  • principal alvo de veto é o artigo 2º, § 3º, que trata do crime de favorecimento de organização criminosa com redação excessivamente aberta.
  • itens de alto risco apontados: vedação de auxílio-reclusão a familiares de presos e transferência do julgamento de homicídios dolosos do júri popular para varas criminais.
  • Congresso mudou divisão de bens apreendidos e criou dois crimes hediondos (domínio social estruturado e favorecimento), além de endurecer o tempo mínimo de cumprimento de pena e manter o veto de auxílio-reclusão.

O presidente Lula sancionou nesta terça-feira o PL Antifacção (PL 5.582/2025). O governo já trabalha com a expectativa de que ao menos um trecho inconstitucional seja derrubado pelo STF, mesmo com veto eventual.

A mudança na tramitação durante o Congresso é apontada como fator que limitou a atuação do Planalto. O relator Guilherme Derrite (PP-SP) teria influenciado o conteúdo, segundo avaliação da equipe presidencial.

Diante disso, o governo adota a estratégia de redução de danos, contando com o controle de constitucionalidade do STF para o restante do texto.

Pontos com maior risco de inconstitucionalidade

Um ponto central envolve o art. 2º, § 3º, que tipifica o favorecimento de organização criminosa com linguagem excessivamente ampla, atingindo pessoas sem envolvimento direto.

A proibição de voto de presos provisórios aparece em outro trecho, mas não é tema de veto prioritário. O Planalto acredita que será derrubada pelo STF, sem efeito prático imediato, dada a provável derrubada de veto pelo Congresso.

Entidades já mobilizam ações judiciais para questionar outros dispositivos. O governo acompanha e pode atuar diretamente em casos pontuais.

Outros dispositivos sob escrutínio

Além do favorecimento, há risco na vedação de auxílio-reclusão para familiares de presos, considerado por o Planalto como extensão da pena.

Também é questionada a transferência do julgamento de homicídios dolosos do júri popular para varas criminais colegiadas, o que enfrentaria a Constituição.

O Congresso aprovou o PL com mudança na destinação de bens apreendidos em operações, repartindo recursos entre União e Estados conforme autoria das investigações, com participação da PF ou forças estaduais.

Novos crimes e endurecimento penal

O texto cria dois crimes hediondos: domínio social estruturado, com pena de 20 a 40 anos, e favorecimento desse domínio, de 12 a 20 anos.

Outra mudança é o aumento do tempo mínimo de cumprimento em regime fechado, de 40% para 70% da pena, para réus primários.

Também fica proibido o pagamento de auxílio-reclusão a dependentes de condenados pelos crimes previstos na lei. O governo sustenta que a lei busca endurecimento, dentro do combate à violência.

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