- A Polícia Federal aponta linhas de investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), incluindo mudança para a Espanha, relação com Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, pagamentos de viagens e uma empresa de gaveta aberta na Espanha em 2026.
- A CPMI do INSS buscava quebras de sigilos de Lulinha; o STF determinou a continuidade da comissão por ao menos mais 60 dias, permitindo avanços limitados.
- A PF avalia que a ida ao exterior, em circunstâncias de retorno não imediato, poderia indicar tentativa de evitar investigações, hipótese contestada pela defesa.
- Investigações examinam possível uso de redes de empresas e viagens para ocultar recursos de fraudes previdenciárias, incluindo possíveis pagamentos a Lulinha por meio de terceiros.
- Foi identificada abertura de uma empresa de gaveta em Madri no início de 2026, com capital mínimo, supostamente para atuação futura no setor tecnológico; defesa afirma que não há ilegalidade.
A Polícia Federal aponta linhas de investigação sobre o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, envolvendo uma possível relação com o empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS. As apurações também tratam da mudança dele para a Espanha, de pagamentos suspeitos de viagens e de uma empresa de gaveta registrada recentemente.
Os documentos da PF foram enviados ao ministro do STF André Mendonça, relator da CPMI do INSS. A comissão tramita paralelamente às investigações da PF, com o objetivo de esclarecer irregularidades no sistema previdenciário. A PF enfatiza que a ida de Lulinha ao exterior poderia dificultar o acesso aos dados.
Para a PF, a saída do Brasil, em circunstâncias de investigação, pode indicar tentativa de evitar o alcance das apurações. A defesa de Lulinha contesta a leitura, afirmando que a mudança ocorreu antes da deflagração da operação Sem Desconto e foi planejada em 2024, com providências em 2025.
Relações de Lulinha com o Careca do INSS
A investigação aponta uma possível proximidade entre Lulinha e Antunes, o Careca do INSS, apontado como operador central do esquema. Uma viagem dele a Portugal com o empresário, em 2024, é alvo de verificação para entender eventual participação em negócios ligados ao INSS.
Lulinha reconheceu contato com o Careca do INSS, mas classifica o vínculo como social e esporádico. A defesa sustenta que a apresentação ocorreu por meio de uma pessoa em comum, sem envolvimento em irregularidades.
Os investigadores avaliam a possibilidade de uso de projetos no setor de canabidiol para ocultar recursos de fraudes previdenciárias. A linha de apuração ainda está em estágio inicial, com necessidade de novas provas.
Relatos colhidos na CPMI mencionariam pagamentos mensais a Lulinha, ainda sem evidências consistentes em movimentações bancárias diretas. As apurações consideram, porém, a necessidade de confirmar ou refutar eventuais esquemas de transferência por intermediários.
Possível repasse por meio de agência de viagens
Outra frente envolve transferências de recursos para pessoas próximas ao filho do presidente, inclusive à empresária Roberta Luchsinger. Ela nega irregularidades e afirma prestar serviços legítimos. A PF investiga se recursos do esquema poderiam ter passado por uma agência de viagens.
Entre os dados, constam movimentações que teriam relação com uma empresa de turismo ligada à própria Luchsinger. A partir disso, os peritos buscam vincular passagens aéreas emitidas a Lulinha a um cadastro migratório, sem confirmação de irregularidade.
A defesa de Fábio Luís afirma que a agência é prestadora de serviços para clientes diversos, sem relação com o esquema apurado. Roberta Luchsinger também sustenta que os serviços são legítimos e não implicam ilícitos.
Perícias indicam que parte dos recursos pode ter coincidido com o período dos desvios nas aposentadorias. Contudo, as associações ainda não foram comprovadas, e as autoridades sinalizam que as evidências são preliminares.
Empresa de gaveta aberta na Espanha
A Folha de S Paulo divulgou que Lulinha abriu uma empresa de gaveta em Madrid no início de 2026. Empresas de gaveta já registradas, mas sem atividade, costumam ser usadas para facilitar negócios futuros. O capital inicial ficou em torno de 3 mil euros.
O endereço está numa área empresarial de Madrid, com objeto social amplo na área de tecnologia. A defesa afirma que a formalização ocorreu dentro da normalidade e que a empresa não está operando no momento.
Segundo a defesa, empreender no exterior é legítimo e não indica irregularidade. Abertura de companhias no exterior, quando prevista pela lei, não configura crime ou fraude por si só.
CPMI, sigilos e andamento das diligências
A CPMI aprovou, em fevereiro de 2026, a quebra de sigilos de Lulinha, motivada por menções em diálogos com Antunes. A medida foi suspensa pelo STF, após avaliação de que houve votação irregular sem análise individual dos requerimentos.
O caso permanece sem conclusão, com a CPMI enfrentando dificuldades para convocar Lulinha e avançar nas investigações. A base governista rejeitou pedidos de convocação, alegando falta de provas concretas.
O presidente Lula afirmou que, se houver envolvimento do filho, ele será investigado e responsabilizado. A PF continua trabalhando para esclarecer os fatos, sem interferência ou proteção a eventuais beneficiados.
Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha, criticou a atuação da PF, afirmando que as hipóteses estão sendo tratadas como evidências. Ele disse que vazamentos de informações prejudicam a credibilidade do processo, embora tenha confiança na condução institucional.
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