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Justiça autoriza retomada de processo que pode tirar Enel de SP

Justiça autoriza continuação de processo que pode cassar concessão da Enel em São Paulo, com ANEEL avaliando eventual caducidade

Processo que investiga a Enel afirma que a concessionária tem dificuldades para restabelecer energia após grandes eventos e falha ao se planejar para lidar com fenômenos climáticos
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  • A Justiça Federal revogou, nesta quarta-feira, liminar que suspendia o processo da Aneel para cassação da concessão da Enel em São Paulo.
  • A continuidade da Enel no estado passa a ser analisada pela diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
  • O Ministério Público Federal pediu a revogação da liminar e a ação mantém foco na legalidade do rito administrativo, não na qualidade do serviço.
  • A Enel alegou violação de devido processo legal, ampla defesa e contraditório, mas a juíza entendeu que o processo tramita de forma regular.
  • O governo tem pressionado pela caducidade do contrato, com apoio de autoridades de São Paulo e da prefeitura de São Paulo, desde anúncios feitos em dezembro.

A Justiça Federal derrubou nesta quarta-feira 25 de março de 2026 a liminar que suspendia o andamento do processo que pode cassar a concessão da Enel Distribuição São Paulo. A decisão mantém a análise pela Aneel em curso. A continuidade da empresa no Estado está em avaliação pela agência reguladora.

Na véspera, 24 de março, o processo havia sido retirado da pauta da reunião do colegiado por causa de um mandado de segurança apresentado pela Enel. A liminar anterior bloqueava a deliberação da Aneel até o mérito da ação ser julgado.

A juíza substituta Pollyanna Kelly Maciel Medeiros Alves atendeu a um pedido de revogação do MPF. Ela afirmou que o processo administrativo tramita com contraditório e instrução adequada, e não por falta de garantias.

Segundo o MPF, o objetivo é transferir a ação para a Justiça Federal de São Paulo, mas a juíza manteve a origem do caso na Justiça Federal do Distrito Federal, destacando que a demanda trata da legalidade do rito administrativo, não da qualidade dos serviços.

Processo administrativo e potencial desfecho

O processo da Enel é fundamentado por um instrumento de fiscalização da Aneel que aponta falhas na prestação de serviços. A avaliação cita dificuldade de restauração de energia após grandes eventos e demora no atendimento a emergências.

A área técnica da Aneel aponta ainda número elevado de interrupções longas e falhas no planejamento diante de eventos climáticos. O parecer indica que as medidas do Plano de Recuperação não seriam suficientes para melhorar a concessão.

A comissão reguladora recomenda a caducidade do contrato e a extinção da concessão da Enel em São Paulo, com base no relatório técnico. A decisão final depende da avaliação da diretoria da Aneel.

Contexto político e pressão

O processo ocorre em meio à pressão do governo pela caducidade da concessão. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, defendem a extinção da concessão.

Em dezembro, Silveira, Tarcísio e Nunes anunciaram uma iniciativa para romper o contrato com a distribuidora. Desde então, eles têm reiterado a posição de encerrar a atuação da Enel no estado. Quaisquer desdobramentos dependem das decisões técnicas da Aneel.

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