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No Nepal, apelos por reforma ganham força em zonas-tampão

Chamadas por reformas nas zonas-tampão dos parques nepaleses ganham força, com pedidos de menos poder do guarda, mais infraestrutura e repartição de recursos

Residents of a buffer zone collecting firewood. Image by Abhaya Raj Joshi/Mongabay.
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  • Abstenção de voto ocorreu com 1.216 moradores de uma vila na borda do Banke National Park, no oeste do Nepal, citando sofrimento causado por animais silvestres, em eleição realizada em 5 de março de 2026.
  • O “buffer zone” é uma faixa de proteção ao redor de parques nacionais, com uso de recursos regulado por leis diferentes e participação comunitária prevista, buscando equilíbrio entre conservação e necessidades locais.
  • Críticos afirmam que o poder do guarda-chefe é excessivo e que o conselho do buffer zone tem participação fraca, com acusações de falta de autonomia para moradores.
  • Conflito homem-fauna segue sendo um desafio: no ano fiscal de 2025/2026 houve mortes e ferimentos, perdas de animais e danos a plantações; o governo reconhece as diretrizes de relief e compensação desde 2023.
  • Entidades locais pedem reformas legais e institucionais, incluindo demarcação melhor das zonas, acesso a recursos, melhorias de infraestrutura e possíveis alterações que ampliem a participação comunitária, com atenção às eleições de 2027.

BARDIYA, Nepal — Em uma votação parlamentar realizada em 5 de março de 2026, 1.217 moradores de uma vila na periferia do Banke National Park se abstiveram, entre eles Mewa Lal Pulami. A decisão ocorreu em meio a críticas sobre a atenção dada aos conflitos com animais silvestres na região.

A população local vive na chamada zona de amortecimento, uma faixa de proteção ao redor de parques onde o uso de recursos naturais é regulado por regras próprias. O movimento de abstinção ganhou destaque nacional, reforçando pedidos por mudanças urgentes no programa.

Contexto das zonas de amortecimento

O objetivo, criado em 1996, era aumentar a participação comunitária na conservação de espécies como tigres, rinocerontes e leopardos das neves. Hoje, o espaço cobre 5.602 km², envolve cerca de 1,2 milhão de pessoas e gera debates sobre benefícios e custos para as comunidades.

Para alguns moradores, a proteção vem acompanhada de obrigações restritivas. Acesso a bens florestais, infraestrutura e serviços públicos é visto como insuficiente, enquanto os ganhos com a conservação parecem concentrados em um grupo limitado.

Desafios da convivência com a fauna

Relatos de danos a culturas, gado e moradias são comuns. Dados oficiais apontam mortes, ferimentos e perdas de animais no último ano fiscal, com custos de compensação pagos a diversas áreas, incluindo Chitwan e Bardiya. Críticos afirmam que a distribuição não alcança as comunidades marginalizadas.

Há ainda críticas à atuação do guarda-chefe da área protegida. Em muitos casos, ele pode sobrepor decisões da assembleia local do zoneamento, gerando desconfiança entre moradores e autoridades.

Desenvolvimento e infraestrutura

A rigidez das regras de conservação dificulta obras de infraestrutura, limitando estradas, eletricidade e transporte seguro. Pequenas melhorias, como pontes ou gestão de rios, exigem aprovações demoradas, ampliando o isolamento de comunidades e atrasando serviços de saúde, educação e comércio.

Em Madi, por exemplo, o deslocamento até a vila envolve atravessar áreas do parque, aumentado o custo e o tempo de acesso a serviços. Ativistas jovens defendem pavimentação de vias, redes elétricas subterrâneas e políticas de redução de conflitos com a fauna.

Participação, receitas e demandas

O repasse de receitas às comissões de zonas de amortecimento diminuiu ao longo dos anos. De acordo com o Departamento de Conservação da Vida Selvagem, parte dos recursos era compartilhada com a comunidade, mas o rateio caiu de 30-50% para cerca de 20% após a federalização, em 2015.

Apesar dos obstáculos, o turismo tem gerado renda para alguns moradores por meio de hospedagem e serviços, com benefícios percebidos como desiguais em várias zonas. Há propostas para reduzir a tarifa de entrada para turistas estrangeiros que visitem áreas como Madi.

Caminhos e perspectivas

Representantes locais têm buscado reformas no parlamento e em reuniões com autoridades, pedindo ajustes na lei para ampliar o uso de recursos naturais por governos locais e reduzir restrições administrativas. A tramitação de mudanças foi interrompida pela dissolução de 2025 do parlamento.

A liderança comunitária de Bardiya aponta que a conservação não é incompatível com o bem-estar humano, desde que haja mecanismos legais mais práticos. Organizações locais defendem que as políticas sejam atualizadas para refletir necessidades atuais.

Pulami afirma manter a esperança de que as demandas sejam atendidas antes das próximas eleições locais e provinciais, previstas para 2027, para que a comunidade volte a participar plenamente do processo eleitoral.

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