- Em 2025, foram em média três casos de antissemitismo por dia no Brasil, totalizando 989 ocorrências registradas pela Conib.
- O ano anterior teve 1.788 ocorrências, mas 2025 é visto como consolidando um novo patamar de ódio contra judeus.
- Oito em cada dez casos ocorreram em plataformas digitais, com Instagram respondendo por 37,1% das denúncias online, seguido de X/Twitter (13,9%) e Facebook (11,6%).
- Houve cerca de 220 mil menções, com alcance potencial de 66 milhões de pessoas.
- No Congresso, tramita o PL 1.424/2026, que busca equiparar antissemitismo à definição da IHRA para orientar políticas públicas de memória, educação e direitos humanos.
O Brasil registrou, em 2025, uma média de três casos diários de antissemitismo, aponta o Relatório Anual sobre Antissemitismo no Brasil 2025, elaborado pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e divulgado nesta segunda-feira (30). O estudo também aponta aumento de denúncias em relação a 2022, com 989 ocorrências no ano passado, ainda abaixo do recorde de 1.788 em 2024.
Segundo a Conib, o crescimento de 149% nas denúncias indica consolidação de um novo patamar de antissemitismo no país. O levantamento enfatiza a predominância de violência em ambiente digital, com 800 dos 989 casos ocorrendo em plataformas online.
Ódio online domina
Entre as redes, o Instagram responde por 37,1% das denúncias digitais, seguido pelo X/Twitter com 13,9% e pelo Facebook com 11,6%. O monitoramento aponta que o total de menções atingiu 220 mil, com alcance estimado de 66 milhões de pessoas.
O secretário da Conib, Rony Vainzof, afirma que a banalização da violência contra judeus tornou-se um comportamento recorrente na sociedade. Ele ressalta que o medo de expor a identidade judaica leva à autocensura, prejudicando a liberdade religiosa.
Na leitura do estudo, o conjunto de modalidades online inclui antissionismo associado a antissemitismo em 70,8% dos casos, além de generalizações, ataques verbais e menções a nazismo. Também há atribuições conspiratórias e exaltação de grupos antissemitas entre as táticas presentes.
Antissemitismo vs antissionismo
O relatório distingue antissemitismo, ódio dirigido aos judeus, de antissionismo, posicionamento crítico ao Estado de Israel. Enquanto o antissémitismo denota preconceito contra judeus, o antissionismo se refere a objeções ao sionismo ou à existência do Estado de Israel, conforme a leitura da Conib.
Para a instituição, contudo, críticas a governos ou ações de Israel não devem ser interpretadas automaticamente como antissemitismo. A organização ressalta a necessidade de diferenciar críticas políticas de ataques coletivos aos judeus.
Ato no Congresso
Na esfera legislativa, tramita no Congresso o PL 1.424/2026, apresentado por Tabata Amaral (PSB-SP) e 44 coautores de diferentes espectros ideológicos. A proposta busca equiparar a definição de antissemitismo à da IHRA, reconhecendo-o como uma forma de racismo no Brasil.
O texto não cria novos tipos penais, mas reforça a proteção de memória, educação e direitos humanos, com o objetivo de respaldar políticas públicas de combate ao ódio e de promoção da memória histórica.
Impactos e leituras
O estudo indica que a mobilização institucional e o monitoramento contínuo são considerados necessários para enfrentar o avanço do antissemitismo. A Conib destaca a importância de ações de educação, políticas públicas e fiscalização para reduzir incidentes.
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